homeopatia terapias não convencionais

Homeopatia e fitoterapia chinesa

Num discussão antiga, alguns interlocutores começaram  associar homeopatia com fitoterapia ou medicamentos como se fossem todos a mesma coisa.

De acordo com essas pessoas:

“a homeopatia trabalha sobre os mesmos princípios da fitoterapia chinesa ou medicina alopática”

“os princípios base da Homeopatia são universais e usados por outras práticas terapêuticas”, etc…

Como tal decidi escrever as próximas linhas para explicar o que é a homeopatia e como se diferencia da fitoterapia.

Matéria Médica Chinesa

Bases da homeopatia: os semelhantes

Um dos princípios base da homeopatia é o seguinte:

“Os semelhantes curam-se pelos semelhantes”.

Ou seja uma droga que provoque determinado sintoma serve para tratar esse mesmo sintoma.

Assim uma droga que provoque vómitos serve para tratar todo o tipo de patologias que se caracterizem pela presença de vómitos.

Existem alguns exemplos curiosos fora da Homeopatia: o café é um estimulante mas é usado para acalmar crianças hiperactivas, a quimioterapia ou radioterapia provocam processos neoplásicos, mas são usados para tratar neoplasias.

Em Medicina Chinesa também existem plantas tóxicas mas que são usadas para tratar diferentes maleitas, apesar de que a sua toxicidade muitas vezes não está ligada aos sintomas que pretende tratar.

O primeiro calcanhar de Aquiles da Homeopatia encontra-se na generalização deste conceito.

Apesar de existirem alguns exemplos interessantes a verdade é que esta lei não é generalizável.

Nem na Medicina Ocidental nem na Medicina Chinesa. É exactamente o contrário que é considerado válido.

Na Medicina Chinesa as plantas são classificadas de acordo com a sua natureza que pode ser fria ou quente (vamos só manter esta classificação a um nível muito básico).

Uma planta de natureza fria quando tomada provoca sintomas de frio como suores espontâneos, frio generalizado, etc… Mas não é usada para tratar esses sintomas.

Pelo contrário é usada para tratar os sintomas opostos como febre, agitação física e psíquica, hipertensão, etc…

As drogas de Medicina Chinesa são usadas para contradizer os sintomas das patologias não porque se assemelham a eles mas porque são muito diferentes.

E qualquer profissional da área sabe que efeitos benéficos uma planta de natureza quente poderá trazer a um paciente com quadros de calor. Nenhum será a resposta certa.

Bases da homeopatia: doses infinitesimais

O segundo princípio que eu gostava aqui de falar refere-se às doses infinitesimais.

Os produtos homeopáticos baseiam-se em diluições infinitesimais.

Relativamente ao processo de diluição gostaria de deixar aqui um excerto da obra de Robert Park, Voodoo Science (traduzido para Português pela editora Bizâncio com o nome Ciência ou Vodu) que também podem encontrar na Wikipédia na palavra Homeopatia:

“Hahnemann utilizou um processo de diluição sequencial para preparar os seus medicamentos. Diluía um extracto de uma erva ou de um mineral «natural», uma parte de remédio para dez partes de água, ou 1:10, agitava a solução e diluía-a novamente, segundo outro factor de dez, resultando num total de diluição de 1:100. Repetir o processo uma terceira vez resultava em 1:1000, etc… Por cada diluição sequencial adicionava mais um zero. E repetia o processo várias vezes. É fácil obter diluições extremas por este método.

O limite de diluição é alcançado quando sobra apenas uma molécula do remédio na solução. A partir desse ponto, não há mais nada para diluir. Nos medicamentos homeopáticos que se compram nas lojas, por exemplo, é bastante comum uma diluição de 30X. A referência 30X significa que a substância foi diluída em uma parte para dez e agitada, sendo o processo repetido, sequencialmente, trinta vezes. A solução final obtida será, pois, uma parte da substância para 1 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 partes de água. O que estaria muito além do limite de diluição. Para ser mais preciso, com um grau de diluição de 30X, o leitor teria de beber 29,806397 litros de solução para ingerir uma molécula da substância.

Em comparação com muitos preparados homeopáticos, até 30X é concentrado. O Oscillococcinum, o medicamento homeopático comum para o tratamento da gripe, é derivado do fígado de pato, mas o seu uso generalizado na homeopatia não constitui uma ameaça para a população de patos: o grau normal de diluição é de uns mirabolantes 200C. O C significa que o extracto é diluído à razão de uma parte para cem partes de água e agitado e o processo repetido sequencialmente para duzentas vezes. O que resultaria numa diluição de uma molécula de extracto para cada 10400 moléculas de água, isto é, 1 seguido de 400 zeros. Mas, no Universo inteiro, há apenas cerca de 1080 (1 seguido de 80 zeros) átomos. Uma diluição de 200C ultrapassaria em muito, em muito mesmo, o limite de diluição de todo o universo visível.”[1]

Neste excerto de texto está bem patente qual o segundo calcanhar de Aquiles da Homeopatia.

E é este segundo calcanhar que marca também uma diferença enorme com a fitoterapia usada em Medicina Chinesa.

O uso de drogas em Medicina Chinesa não obedece à lei dos infinitesimais. Pelo contrário.

Quanto mais severo é um conjunto de sintomas maior deve ser a concentração das drogas usadas para contrariar a evolução desse sintoma.

É comum nos livros de prescrição em Medicina Chinesa fazer-se uma análise da fórmula e aconselhar-se adições, subtracções ou alteração da concentração de plantas consoante pequenas variações dos sintomas dos pacientes.

homeopatia terapias não convencionais

Luc Montagnier /não) prova a eficácia da homeopatia

Um artigo curioso sobre a eficácia da homeopatia

Recentemente um dos leitores do blogue chamou-me a atenção para um artigo de 2009 do cientista francês, Luc Montagnier, onde supostamente, este defendia a eficácia da homeopatia e pretendia provar que a sua validade.

O artigo chamou-me a atenção e deu origem a alguns comentários sobre o estudo. Mais não seja porque Luc Montagnier é prémio Nobel da Medicina.

De início achei estranho usar-se aquele estudo que não parecia ter nada a ver com homeopatia mas sim como propriedades emergentes do DNA. Sobre o mesmo escrevi:

“Este trabalho é relevante, particularmente porque se analisam novas propriedades da DNA de bactérias. estas propriedades podem ter grande importância no desenvolvimento do conhecimento do DNA.

Mas isto nada tem a ver com homeopatia. Enganas-te se pensas que este trabalho tem alguma coisa a ver com homeopatia.”[i]

Foram 4 os factores que me levaram a escrever este comentário:

(1) li o estudo rapidamente – não me beneficia muito -,

(2) o estudo não menciona homeopatia em lado nenhum e

(3) o estudo abordava fenómenos observáveis na presença de DNA e

(4) o estudo falava de métodos de detecção de virús e não de tratamento.

Pelos visto quem estava enganado era eu, uma vez que de acordo com vários sites e o próprio Luc Montagnier, o trabalho tem mesmo a ver com a eficácia da homeopatia[ii], [iii].

Dana Ullman, considerado o maior defensor da homeopatia nos EUA, escreve

“In a remarkable interview published in Sciencemagazine of December 24, 2010… Professor Luc Montagnier, has expressed support for the often maligned and misunderstood medical specialty of homeopathic medicine. Although homeopathy has persisted for 200+…”[iv]

Na net é possível encontrar várias páginas onde se fala do artigo. No entanto, devido ao facto de ser recente ainda não existe comprovação dos resultados por equipas independentes e a maioria dos sites da net pertencem a homeopatas ou a outros profissionais do sector das medicinas naturais/complementares.

Uma vez que estes sites, regra geral, não tem credibilidade decidi continuar a procurar mais informação noutros sites sobre o estudo que comprovava a eficácia da homeopatia.

Peço desculpa pela frontalidade, mas os sites de cépticos são bem superiores nas análises que fazem dos estudos científicos, em comparação com sites de medicinas alternativas.

Mais não seja, porque muitos desses cépticos tem boa formação científica e os profissionais das medicinas alternativas não só tem falta de formação científica como uma ausência quase patológica de cepticismo e auto-crítica.

Felizmente conheço alguns sites de cépticos bastante bons e encontrei um site[v] onde se desconstrói de forma brilhante o estudo de Luc Montagnier.

Isto não significa que não seja possível no futuro demonstrar-se a eficácia da homeopatia (o que parece ter sido bastante difícil de fazer nos últimos 200 anos) mas significa que o estudo apresenta alguns problemas e que não comprova a veracidade das afirmações da homeopatia.

Devo avisar, mais uma vez, que o que será aqui apresentado não é totalmente da minha autoria (alguns argumentos são meus, outros não). É uma análise retirada de um site da net com a qual concordo inteiramente[vi].

Antes do leitor começar a ler as críticas aconselho a ler o artigo em causa. Chama-se “Electromagnetic Signals Are Produced by Aqueous Nanostructures Derived from bacterial DNA Sequences”.

O leitor pode encontrá-lo disponível no scribd. Basta ir para o seguinte link:

http://pt.scribd.com/doc/20711589/Electromagnetic-Signals-Are-Produced-by-Aqueous-Nano-Structures-Derived-From-Bacterial-DNA-Sequences-Luc-Montagnier

Problemas com o estudo de Luc Montagnier sobre a eficácia da homeopatia

Em primeiro lugar não foi publicada numa revista credível. Este é um aspecto importante.

A maioria dos cientistas, com estudos bons, pretendem vê-los publicados nas melhores revistas porque estas também são garante de qualidade.

Luc Montagnier, prémio Nobel da medicina, sabe disto perfeitamente e fica a questão de saber a razão que levou um prémio Nobel da medicina, que já publicou nas melhores revistas da especialidade, publicar um artigo numa revista sem credibilidade.

Em particular numa revista na qual ele pertence ao quadro editorial!

O artigo não está construído com o formato de um estudo científico. Talvez seja uma das razões pelas quais não foi publicado numa revista credível.

Faltam secções separadas como métodos ou discussão, apresenta erros de linguagem e faz afirmações sem as sustentar em fontes.

Outro aspecto que gera preocupação é a rapidez com que foi feito o processo de peer-review, pois regra geral, o processo peer-review leva tempo.

O período, que vai da recepção de um estudo à sua posterior aprovação para publicação, é de meses. Entre a recepção de um estudo e a sua efectiva publicação chega a passar um ano.

No entanto, no estudo de Luc Montagnier sobre a eficácia da homeopatia, numa revista sem credibilidade, o tempo de peer-review foi de 2 dias?!

E o tempo entre a recepção do artigo e a sua publicação foi de 3 dias (1 dia após ser aceite foi publicado!?).

Este tempo de peer-review numa revista sem credibilidade costuma falar muito acerca do mesmo.

Mas é mais preocupante quando esse artigo tem o nome de um Nobel da Medicina e quando esse Nobel faz parte do quadro editorial.

ciência ódio ao ocidente vera novais

O estudo de Luc Montagnier prova a eficácia da homeopatia?

Não. O estudo não comprova a eficácia da homeopatia.

É crucial salientar que o artigo se focava nas possíveis propriedades de partes do ADN bacteriano em diluições e a homeopatia defende uma série de princípios e práticas que nem sequer se vêm abrangidos pelo artigo.

Por outro lado os dados do artigo, esteja ou não bem construído, parecem contrariar muitos dos princípios da homeopatia.

Isto deveria fazer os homeopatas pensar se realmente pretendem usar este artigo como prova.

Passo a enumerar algumas diferenças entre o que o artigo sustenta em comparação com o que a homeopatia defende.

Em primeiro lugar, na experiência existiam partículas de DNA, enquanto em muitos homeopáticos não existem partes de DNA nem princípio activo. Na realidade algumas diluições davam para diluir o universo inteiro[vii].

Em segundo lugar este fenómeno, a ser real, foi observado na molécula de DNA. No entanto, muitos homeopáticos não usam DNA de bactérias mas partem de um princípio activo.

Por outro lado, o próprio autor do estudo, Luc Montagnier, afirmou:

“What we have found is that DNA produces structural changes in water, which persist at very high dilutions, and which lead to resonant electromagnetic signals that we can measure. Not all DNA produces signals that we can detect with our device. The high-intensity signals come from bacterial and viral DNA.”[viii]

Ou seja, o fenómeno não é universal ao contrário dos princípios da homeopatia. Nem todas as formas de ADN conseguiram produzir estes efeitos.

Como pode isto, então, concluir a favor da homeopatia?

A homeopatia estipula que existem efeitos a diluições mais elevadas, com efeitos maiores consoante aumentam as diluições.

No artigo existiram efeitos positivos com altas diluições e alguns homeopatas usam isso para afirmar que se prova a eficácia da homeopatia.

Na realidade o efeito observado não aumentou com o aumento das diluições e nas diluições mais elevadas o efeito desapareceu.

Este estudo não prova as alegações da homeopatia. Pelo contrário!

Outra conclusão do estudo é que o efeito observado era de curta duração. Os efeitos observados no estudo duraram de algumas horas a dois dias mas não duraram mais que isso.

No entanto os remédios homeopáticos não são administrados horas após a sua preparação. Na altura em que os homeopáticos são vendidos já este efeito, caso seja real, desapareceu.

Por outro lado gostaria de chamar a atenção para mais dois problemas colocados entre o estudo e as alegações dos homeopatas.

Este foi um estudo in vitro. Ou seja, ele não prova que a homeopatia funciona in vivo pois existem efeitos observados in vitro que não são observados in vivo.

E outros efeitos, mesmo quando observados in vivo, não desencadeiam respostas fisiológicas.

Sem estudos in vivo devidamente realizados os homeopatas não podem dizer que funciona. Muito menos com um estudo que, na melhor das hipóteses, é um estudo prospectivo!

Este estudo em nenhum momento comprovou que as alegações de validade terapêutica da homeopatia são verdadeiras. Em nenhum momento se mostrou a eficácia da homeopatia.

Finalmente fica a dúvida sobre a venda de homeopáticos em comprimido dos quais é retirada toda a água.

Que conclusões podemos tirar?

As conclusões são simples:

1 – o estudo carece de respeitabilidade cientifica pela rapidez com que foi feita o peer-revie e pela ausência de credibilidade da revista.

2 – o estudo não comprova e até contradiz algumas das alegações da homeopatia. O estudo não comprova a eficácia da homeopatia.

dialogar com médicos e evidencia clinica

O Caso safira: a homeopatia das células dendríticas

Safira, uma rapariga doce e inocente, que sofria de um tipo de tumor renal em fase bastante avançada, abandonou os tratamentos de quimioterapia e seguiu outros tratamentos não standardizados que a levaram à cura.

O caso chamou a atenção pelo facto dos pais terem sido levados a tribunal pelos médicos do IPO que apresentaram queixa à comissão de menores.

Na altura procurei informações, sobre o caso, na internet e descobri que existe imensa indignação por parte dos homeopatas pois um dos tratamentos usados por Safira era a homeopatia.

Sobre este caso o Juiz desembargador, Rui Rangel, escreveu no Correio da Manhâ a 03/11/11:

“O caso Safira, a menina de quatro anos que sofre de um cancro renal, trouxe ao debate a discussão sobre o papel e a virtude da medicina alternativa. Safira, a menina que sofre desta maldita doença, demonstrou que o debate é frouxo e inconsciente e que continua a existir umvelho e bafiento preconceito sobre as vantagens da chamada medicina alternativa.

A legislação é praticamente inexistente e a que existe é de fraca qualidade, não tem força e esconde se atrás do biombo da vergonha e do preconceito. A medicina convencional tende a impor-se a tudo e a todos, menos à família da Safira, que livremente escolheu um outrocaminho para a sua filha. Recusaram o tratamento através do método tradicional, a quimioterapia, desobedecendo à medicina e ao tribunal. O que procuravam era a cura da menina e não a sua sobrevivência.

No caso, a medicina convencional pretendia sujeitar os pais à lógica dos protocolos legais que obrigam a fazer quimioterapia. Se por detrás da recusa dos pais não estão interesses culturais ou religiosos, impõe-se a pergunta: a recusa é ou não legítima face ao nossoordenamento jurídico? Os pais da Safira podiam ou não ir livremente à procura da homeopatia? A livre escolha por um outro método de tratamento podia gerar a retirada da guarda dos pais? Entre nós, ainda vigora uma cultura salazarenta na aceitação de novas realidades. Apesar de todos os méritos científicos da medicina convencional, que são muitos, a sua cultura de arrogância, como sendo a única que é válida e que cura, começa, cada vezmais, a ser posta em causa. Fruto de um poderoso lóbi, ainda não foi possível ir mais longe, em termos legislativos, no reconhecimento e na validação científica destes novos saberes. Existe um vazio de lei nesta matéria, o que já vai sendo tempo de se alterar numa sociedadelivre, que se quer mais justa e equilibrada. No nosso quadro constitucional, ninguém pode ser obrigado a sujeitar-se a um tratamento de quimioterapia que lhe destrói a alma e o ser. A liberdade de escolha para um tratamento natural é total e absoluta, caso não seja ditado por preconceitos religiosos ou outro. E ninguém pode ser perseguido judicialmente, com medidas que o afastem das suas obrigações parentais, só porque escolheu a medicina natural. E o espantoso é que a Safira se salvou com a livre escolha dos pais. Como dizia Victor Hugo: “Quando eu tiver atravessado o túmulo para ir ao encontro de uma outra luz, serei sempre a mesma alma e terei uma nova vida como a floresta várias vezes abatida!” E concluía o seu pensamento: “O corpo não é mais do que o ‘fato de viagem’ da alma. Muda-se de roupagem no túmulo. O sepulcro é o vestiário do céu”…” [i]

A minha dúvida nisto tudo é a seguinte: foi mesmo a homeopatia que curou a Safira?

É que a Safira também fez tratamento médico convencional. Simplesmente não é um tratamento médico ainda muito conhecido.

A Safira recebeu vacinas de células dendríticas que se tem mostrado extremamente importantes no combate ao cancro!

O seu descobridor, Ralph Steinman, recebeu o Prémio Nobel da medicina de 2011 (foi o único cientista a receber esta distinção após morrer o que chama a atenção para a importância da mesma!).

No site do Nobel são descritas as razões que levaram a academia a honrar este cientista com este prémio:

“for his discovery of the dendritic cell and its role in adaptive immunity”[ii]

Na página deste cientista na sua Universidade (Universidade Rockefeller) surge escrito, sobre a sua investigação:

“Dendritic cells, which were originally codiscovered by Dr. steinman with Zanvil A. Cohn at Rockefeller, are pivotal to the adaptive and innate branches of the immune system. Dr. steinman’s research focuses on the mechanisms employed by dendritic cells to regulate lymphocyte function in tolerance and immunity, as well as the use of dendritic cells to understand the development of immune-based diseases and the design of new therapies and vaccines…

… Dr. Steinman’s codiscovery of dendritic cells, with his collaborator Zanvil A. Cohn, and his subsequent work on this new class of immune cells have led to the characterization of DCs as important and unique accessories in the onset of several immune responses, including graft rejection, resistance to tumors, autoimmune disease and infections. His work has led to a new understanding of the control of tolerance and immunity and was the genesis for a new field of study within immunology: the role of DCs in immune regulation, their potential for discovering new vaccines and treatments of autoimmune disorders.”[iii]

Ou seja, os pais de Safira trocaram a quimioterapia por homeopatia mais um tratamento revolucionário que ainda não é mainstream.

Por exemplo, a página sobre tratamento com células dendríticas refere:

“Dendritic Cell (DC) therapy represents a new and promising immunotherapeutic approach for treatment of advanced cancer as well as for prevention of cancer.”[iv]

Eu não discordo em nada do artigo de opinião do juiz desembargador Rui Rangel. Até poderia usar vários exemplos para ajudar a sustentar a opinião exposta no artigo.

Mas efectivamente, no caso da Safira, fica a questão de saber se a homeopatia teve alguma coisa a ver ou se foi somente a vacina de células dendríticas.

Vejo muitas pessoas a cantarem vitória a favor da homeopatia mas não vejo prova nenhuma de que a mesma tenha tido um papel relevante.

Farmácia homeopática: entre o poder judicial e a argumentação científica

Recentemente um blogger português, Luis Graves Rodrigues, foi processado pela farmácia homeopática Santa Justa.

A farmácia não terá gostado de ser mencionada no artigo que ele escreveu[i] onde mostrava o embuste que é a homeopatia e a complacência das autoridades com a venda de medicamentos (água) homeopáticos.

No seu blog, Random Precision, o blogger escreveu:

“A fotografia aqui ao lado retrata a fachada de um estabelecimento comercial instalado na Rua de Santa Justa, na Baixa de Lisboa, e que se apresenta ao público com esta fantástica denominação comercial:

«Farmácia Homeopática de Sta. Justa».

Neste estabelecimento comercial são livre e impunemente vendidos, ou melhor, “impingidos” ao público, preparados misteriosos a preços astronómicos, embora sejam mistelas compostas quase só por água e nunca ninguém tenha conseguido demonstrar a sua eficácia ou sequer o seu efeito.

Tanto assim que todos esses preparados contêm obrigatoriamente um rótulo com a seguinte inscrição:

«Produto farmacêutico homeopático, sem indicações terapêuticas comprovadas».[ii]

O caso tem sido criticado na blogosfera portuguesa[iii], [iv], [v] e ganhou contornos internacionais sendo que já é discutido na argentina e na espanha.

No Foro del circulo escéptico argentino está escrito:

“La pseudociencia tiene una gran tendencia al litigio. En la memoria reciente de este blog se encuentran los casos del Dr. Burzynski amenazando legalmente a un blogger de 15 años y el de Boiron amenazando a un blogger italiano. El primero comercializa una supuesta cura para el cáncer sin evidencia alguna de efectividad (pese a los intentos de al menos uno de sus defensores en los comentarios) y la segunda es una empresa multinacional que se dedica a manufacturar preparados homeopáticos como el oscillococcinum.

Esta vez el litigante no es un individuo o empresa directamente involucrada con la fabricación de tratamientos pseudocientíficos, sino una farmacia que  los vende. El demandado es el blogger portugués Luis Grave Rodrigues, que en su blog Random Precision publicó en 2007 una entrada en la que critica a una farmacia local por vender “preparados misteriosos a precios astronómicos”. En realidad la mención a la Farmácia Homeopática de Sta. Justa es poco relevante y no ocupa más de un párrafo; el objetivo del artículo es explicar qué es la homeopatía y por qué no funciona.[vi]

Num blogue espanhol, los eliminados, o desagrado com a ação da farmácia está bem patente na afirmação:

“Cómo les gusta la censura a los charlatanes… venden mierda que no sirve para un carajo y se quejan si los critican.[vii]

Por muito ridículo que pareça a farmácia parece ter tido mesmo a ousadia de processar um blogger porque este criticava os produtos que ela vende.

Na total incapacidade de discutir cientificamente os seus argumentos ou validar cientificamente as suas hipóteses (água com memória e outras infantilidades) procuram calar a voz da dissidência em tribunais.

A farmácia em causa, na presença de incompatibilidade de opiniões, só tinha de mostrar onde sustentava as suas.

Quais os estudos científicos que sustentam a eficácia da homeopatia, provas da memória da água, argumentos lógicos baseados em evidências palpáveis, etc…

Mas não existe nada disto para apoiar as alegações da homeopatia.

As provas da sua eficácia são anedóticas, os seus mecanismos de ação são completamente fantasiosos, e os argumentos inexistentes ou a raiar o ridículo.

Na ausência de conhecimento, manipulam os nossos valores democráticos tentando ganhar o respeito que a natureza não lhes deu pelos tribunais cíveis.

Parece que a homeopatia só consegue sobreviver na ausência de críticos e na ausência da liberdade de expressão.

É uma espécie de inquisição homeopática onde os nossos direitos democráticos são diluídos em fantasias elevadas à potência de 10.

Qualquer sociedade que se queira desenvolvida depende fundamentalmente de duas coisas: democracia e conhecimento. São necessários mas não são a mesma coisa.

Não temos nenhum enquanto violarmos a liberdade de pensamento e de expressão e muito menos quando manipulamos um deles (democracia) para abafar completamente o outro (conhecimento).

Referências bibliográficas

[1] PARK, Robert; CIÊNCIA OU VODU, Da Insensatez à Fraude; ed. Bizâncio, colecção Máquinas do Mundo, ISBN: 972-53-01-0163-3, pág. 77-78.

[i]

[ii] http://www.theaustralian.com.au/news/health-science/nobel-laureate-gives-homeopathy-a-boost/story-e6frg8y6-1225887772305

[iii] http://www.huffingtonpost.com/dana-ullman/luc-montagnier-homeopathy-taken-seriously_b_814619.html

[iv] http://www.huffingtonpost.com/dana-ullman/luc-montagnier-homeopathy-taken-seriously_b_814619.html

[v] http://www.sciencebasedmedicine.org/?p=2081

[vi] http://www.sciencebasedmedicine.org/?p=2081

[vii] http://acupuntura.blogas-pt.com/homeopatia-e-fitoterapia/

[viii] http://www.huffingtonpost.com/dana-ullman/luc-montagnier-homeopathy-taken-seriously_b_814619.html

[i] Graves, Rodrigues. Sem indicações terapêuticas comprovadas. Random Precision. http://rprecision.blogspot.pt/2007/06/sem-indicaes-teraputicas-comprovadas.html

[iv] http://astropt.org/blog/2012/04/02/vemo-nos-em-tribunal-ii-blogger-portugues-processado/

[vi] Foro del circulo escéptico argentino. Más amenazas legales del homeopatía. http://circuloesceptico.com.ar/foro/topic/1303

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