novos acupuntores

Novos acupuntores no teatro dos sonhos

Acabar o curso de medicina chinesa ou de acupuntura, começar a trabalhar e conseguir sentir o orgulho do sucesso clinico juntamente com a segurança financeira de uma clinica movimentada é o sonho de velhos e novos acupuntores.

As escolas vendem a ideia de prepararem o aluno para um mercado em crescimento, onde a excelência escolar é recompensada clinicamente.

Fica a questão: como é o mercado de trabalho para os novos acupuntores?

Qual a facilidade com que fazem a transição entre os sonhos estudantis e a realidade profissional?

tratamento manual de osteopatia

Os slogans das escolas

As escolas vendem 3 slogans principais:

1 – este é um mercado florescente com grande hipótese de crescimento;

2 – os melhores alunos safam-se muito bem;

3 – o paciente é a principal publicidade.

Antes de analisar estes 3 pressupostos é preciso ficar bem vincado que a sobrevivência das escolas está dependente do número de alunos.

Nenhuma escola sobrevive a dizer aos alunos que muitos não vão conseguir ter trabalho.

As escolas não dizem, que na ausência de regulamentação, todas elas primaram por desenvolver cursos cientificamente irrelevantes e clinicamente ultrapassados.

Sem dúvida que existem escolas que são melhores que outras mas de forma geral todas elas vendem as mesmas ilusões porque precisam dessas ilusões para sobreviverem.

Os alunos rapidamente vão perceber que os melhores muitas vezes não se safam tão bem quanto parece, que muitos terapeutas com poucos escrúpulos se safam melhor que terapeutas mais honestos e que o doente enquanto melhor publicidade não passa de um slogan que nunca compreenderam e que não sabem capitalizar a seu favor.

Depois das ilusões no ensino vem a dureza da realidade clinica.

Bolha inflacionária

O número de interessados em estudar acupuntura cresceu muito rapidamente nos últimos anos.

A idade e o número de alunos em cursos de medicina chinesa cresceu e com eles os mais variados tipos de “licenciaturas” em medicina chinesa e acupuntura: a tempo inteiro, fins de semana, pós-laboral, online…

Ao mesmo tempo o número de outros profissionais a quererem incorporar acupuntura no seu artesanal terapêutico aumentou: fisioterapeutas, médicos, podologistas, osteopatas, etc…

Focando-nos no mundo das “licenciaturas” de medicina chinesa esta evolução gerou uma dinâmica complicada:

1 – muitos terapeutas de idades mais precoces,

2 – aumento considerável de oferta,

3 – muito fraca formação clinica e cientifica.

Esta dinâmica teve várias consequências sociais e que geraram muita celeuma por volta de 2010 em diante:

1 – muitos novos acupuntores desistiram da profissão e mantiveram-se noutros trabalhos;

2 – muitos novos acupuntores trabalharam somente em part-time e nunca se conseguiram afirmar;

3 – o preço das consultas desceu rapidamente chegando a encontrar-se preços de 10€ por sessão.

Com o preço da consulta também desceu a qualidade dos tratamentos prestados.

Passada esta fase (por volta de 2011) notou-se uma estabilização dos preços das consultas.

No entanto os problemas continuaram:

1 – excessos de profissionais muito novos e pouco qualificados;

2 – entrada de novos profissionais de saúde a competir pelos mesmos doentes.

Existem 3 pontos relevantes que afetaram e continuam a afetar os novos acupuntores, especialmente quando competem com outros profissionais de saúde:

1 – Idade e consequente falta de experiência;

2 – Ausência de conhecimentos de marketing e gestão de marcas e empresas;

3 – Pouca qualificação clinica e cientifica: incapacidade em integrar técnicas diferenciadas, aceitação de crenças esotéricas face a abordagens científicas, etc…

Fatores que condicionam o sucesso profissional dos novos acupuntores

“A maior parte dos sítios onde vou entregar curriculos e posteriormente a entrevistas, olham para a minha cara laroca e pensam: Hmmm pensava que era um médico chinês, velhinho e com uma barba branca! Mais um mito de que um profissional de MTC tem que ser idoso… Deve ser pela sabedoria!
Em conclusão, penso que as entidades formadoras, as universidades, escolas superiores de medicina tradicional chinesa, deviam também apoiar o recém-formado, de forma a integra-lo no mercado de trabalho! Além da experiencia, também têm contactos profissionais em todo o país.”

Comentários e antiga aluna sobre o seu início de atividade

Existem 3 fatores principais que afetam o sucesso imediato dos novos acupuntores:

Idade

“Ja notei isso no estagio….quanto mais novos parecemos mais parece que os pacientes (especialmente pessoas de idade) fogem de nos.”

Luis Costa, comentário sobre o impacto da idade nos pacientes

Há uns anos, trabalhava numa clinica médica que já não existe. Quando fui receber uma paciente para primeira consulta, ela olhou para mim, olhou para a recepcionista e perguntou, enquanto apontava para mim:

“É este?”

A minha idade não ajudava a ganhar confiança em alguns doentes.

Ao longo dos anos, enquanto estudante e nos primeiros anos enquanto professor, reparei que os colegas que mais rapidamente conseguiam vingar enquanto terapeutas, não eram os melhores mas os mais velhos.

Experiência profissional

Sem dúvida, existem alguns pontos relevantes na falta de experiência profissional:

Em primeiro lugar, muitos procedimentos não estão mecanizados.

Qualquer osteopata com mais experiência tem algoritmos mentais que aplica automaticamente consoante a resposta dos pacientes aos testes.

Os acupuntores tem combinações de pontos preferenciais ou aplicação de técnicas especificas consoante os sintomas do paciente.

Em segundo lugar, a prática clinica traz uma maior consciência de quais são as nossas limitações técnicas.

Muitos acupuntores aprendem que a acupuntura trata zumbidos. Mas não aprendem as melhores técnicas para tratar zumbidos nem a diferenciação semiológica que lhes permita distinguir o tipo de zumbidos que respondem a técnicas invasivas!

Os acupuntores são particularmente prejudicados neste ponto, pois desde cedo é passada uma imagem falsa das reais potencialidades clínicas e dos benefícios da acupuntura.

Quando chegam ao final do curso é quase um anátema colocar em causa a eficácia da acupuntura.

Em terceiro lugar, a grande vantagem da experiência profissional é que nos ajuda a definir qual é realmente aquela área em que nos excedemos tecnicamente.

Sou melhor a tratar lombalgias ou cervicalgias?

As minhas ferramentas técnicas são mais adequadas ao tratamento do síndrome do túnel cárpico ou na infertilidade?

Foco

Há uns anos falava com uma colega que me tentava convencer da eficácia do método fantástico do mestre Tung. (as próximas linhas vão ser consideradas heresia por muitos colegas!)

Segundo parece, o sistema do mestre Tung tem resultados milagrosos para tratar uma série de condições, inclusivamente, síndrome do túnel cárpico.

Eu levantei uma única questão: “indica-me quais as principais interfaces anatómicas que condicionam a mobilidade neural do nervo mediano?”

A colega não me soube responder.

Nova questão: “tem lógica estar a aprender técnicas de mestres fantásticos quando não sabemos o mínimo de anatomia para distinguir se um caso deve ou não ser tratado com acupuntura?”

Este é o grande problema dos acupuntores.

Tem uma ferramenta de abordagem neurofisiológica excelente. No entanto perdem o seu tempo com conceitos completamente desfasados da realidade.

A maioria dos novos acupuntores perde tempo com microsistemas de auriculoterapia, mestres fantásticos e acupunturas abdominais mas não sabe o mais básico de biomecânica ou neurofisiologia.

Esta perda de foco no que realmente importa é a maior fraqueza que os novos acupuntores tem quando comparados com outros profissões de saúde interessadas na técnica.

Um acupuntor que estude técnicas osteopáticas vai ter mais sucesso clinico que um acupuntor que estuda mestres fantásticos.

Um acupuntor que integra abordagens contemporâneas de acupuntura com exercício vai ter mais sucesso do que um acupuntor que estuda microssistemas.

Um acupuntor que integre abordagens diferenciadas na dor de costas vai ter mais sucesso do que outro que se foca no estudo da abordagem chinesa do cancro.

Estratégias para lidar com a dureza da realidade

O maior erro dos novos acupuntores é pensar que rapidamente vão ficar cheio de doentes, com uma clinica movimentada, respeito profissional e um futuro garantido.

Na realidade, esses novos acupuntores acabaram o curso recentemente, não tem experiência profissional, vem de um curso que provavelmente não os preparou corretamente e não sabem lidar com os diversos problemas que se colocam no dia a dia: trabalho com equipas multidisciplinares, gestão de agendas e doentes, criação de rede de contactos profissionais, marketing, etc…

Os novos acupuntores deveriam esquecer o mundo utópico das escolas e focar-se nas suas necessidades imediatas.

Muitos tem dificuldade em fazer isto porque não conseguem definir as suas prioridades imediatas e pensam somente em ganhar dinheiro.

Existem 2 estratégias essenciais para os novos acupuntores aumentarem as probabilidade de conseguirem ganhar um lugar ao sol.

Esqueçam o dinheiro, esqueçam as ilusões das escolas, esqueçam holofotes imaginários e foquem-se em duas coisas: criar a própria marca e apostar seriamente em educação.

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Criar a própria marca

Se chegaram a esta parte do artigo estão no bom caminho.

As boas notícias: quem tem uma marca visível safa-se.

As más notícias: na nossa área, uma marca de prestígio demora a construir. Não falo de 1 ou 2 anos. Falo de 10, 15, 20 anos.

Os novos acupuntores tem a hipótese de tentar apertar caminho com táticas de marketing menos éticas (que também funcionam infelizmente) ou então por um caminho que lhes granjeie respeito e futuro.

Se a maioria dos novos acupuntores pensar desta forma, daqui a 10 anos irão tirar trabalho a muito acupuntores mais velhos que nunca souberam pensar no longo prazo.

Mentalizem-se que a criação da vossa marca é tão importante quanto o conhecimento técnico que usam para tratar os vossos pacientes.

Se vem trabalhar para o privado tem de se saber criar a própria marca. Este é um problema afeto a todas as profissões de saúde.

Na minha opinião a criação da vossa marca está dependente da integração bem sucedida de uma série de competências:

1 – Aptidões técnicas: a vossa capacidade de tratar rápida e eficazmente um maior número de problemas comuns;

2 – Filosofia de trabalho: eu faço uma triagem muito criteriosa de pacientes. Se achar que o paciente não é para eu tratar, eu não trato.

A desvantagem imediata é a perda de rendimento no curto prazo.

Mas tem 2 vantagens de longo prazo:

Em primeiro lugar crio uma imagem de terapeuta honesto, pouco comercial, que protege o paciente.

Em segundo lugar, garanto que não desperdiço as minhas aptidões técnicas com problemas que eu não consigo tratar aumentando a minha eficácia clinica.

Preferem ser maus a tratar tudo ou bons a tratar uma coisa?

3 – marketing e gestão de recursos: o marketing permite a capacidade de projectarem a vossa marca para além dos efeitos imediatos sentidos pelo paciente e a gestão de recursos permite otimizar o vosso crescimento profissional.

Os profissionais criam as suas próprias empresas.

Isto significa ter um plano de ação com objetivos bem delineados, ter de gerir despesas, contratar outras pessoas, saber ler as necessidades do mercado e explorar locais, construir parcerias, saber escolher o mercado em que se quer desenvolver são pontos importantes para desenvolver uma clinica de sucesso.

Tem de estar dentro de todos os aspetos do seu trabalho: finanças, marketing, clinica, organização e gestão do material, front-desk office, etc…

Apostar em formação: chapa ganha, chapa gasta

O pouco dinheiro que ganharem com as primeiras consultas usem-no em formações de credibilidade.

Encontrem as vossas falhas e apliquem-se no estudo.

Os primeiros anos serão passados em formações e aprimoramento profissional.

Muitos alunos escolhem escolas mais baratas e fáceis porque são mais convenientes: cursos de fins de semana e online por exemplo.

São mais baratos, menos exigentes, duram menos tempo… e no final o que conta é a dedicação do aluno!

Nada mais errado. Um aluno que comece por seguir a via mais fácil nunca vai chegar longe nem nunca se vai dedicar o suficiente!

O maior erro que os novos acupuntores fazem é usarem o mesmo discernimento para escolher estas formações que usaram para escolher as escolas onde estudaram.

O que significa que vão gastar muito dinheiro desnecessariamente para consolidarem o falhanço previsível.

Os novos acupuntores deveriam investir em licenciaturas de outras áreas da saúde que os possam tornar profissionais de saúde mais completos: fisioterapia, medicina, nutrição, osteopatia, etc…

Apostar em formações com grande componente clinica e científica e esqueçer as formações onde se vendem conceitos ridículos ou mestres fantásticos.

Este último parágrafo é facilmente entendido por osteopatas e completamente desprezado por acupuntores.

Escolher clinicas

Os locais de trabalho são importantes. Antes da regulamentação os novos acupuntores tinham muito por onde escolher: clinicas médicas, gabinetes de estética, farmácias, etc…

Com a regulamentação muitos destes espaços tornaram-se impróprios mas a abertura dos gabinetes de fisioterapia e clinicas médicas para incorporarem estas terapias tem aumentado.

Sem dúvida, que existem algumas considerações relevantes, que os novos acupuntores devem fazer na escolha de espaços:

1 – são centrais? espaços centrais tendem a chamar mais pessoas.

2 – Tem bons acessos e estacionamento?

3 – Quais os concelhos com mais população e com população mais envelhecida?

4 – diversificar oferta: procurar clinicas em concelhos diferentes e ver qual é a que chama mais doentes.

A diversificação geográfica é dos pontos mais importantes para os novos acupuntores.

Atualmente eu tenho o meu pequeno espaço no centro de Lisboa mas na maior parte da minha carreira trabalhei um diferentes locais de Lisboa, Amadora, Santa Iria da Azóia, Évora, etc…

Algumas clinicas nunca me trouxeram um único doente e outras permitiram-me fazer nome e chamar mais doentes, mesmo depois de sair dessa região.

Apesar de parecer fácil, este processo pode ser bastante frustrante para os profissionais. Nas palavras de uma antiga aluna:

“O facto de teres de andar de um lado para o outro, durante o dia inteiro, obriga-te a ter um veículo próprio, porque de outro modo (meios de transporte publicos) perdes tempo, e tempo é dinheiro! E se não ganhas o suficiente, não te podes dar ao luxo de ter um veiculo próprio! Além de que andar todos os dias de transportes publicos de Lisboa para a periferia e da periferia para Lisboa, torna-se extremamente cansativo!

Estás sempre dependente de marcações, muitas vezes feitas no próprio dia, e muitas vezes os pacientes/clientes faltam, e as clínicas não te pagam o tempo que perdeste na tua deslocação!”

Departamentos acupuntura lisboa

Gerir a frustração

É dos pontos mais importantes na criação e gestão de uma clinica de sucesso. O profissional tem de aprender a gerir a frustração.

Numa fase inicial vai ter dificuldade em encontrar locais para exercer, depois de encontrar locais vai notar que uns são mais lucrativos que outros.

Quando tiver uma clinica com bom movimento um dia vai ter 8 consultas marcadas mas aparecem 3 doentes.

Ou seja, vai ter dias frustrantes e tem de aprender a lidar com essa frustração.

Os erros são o melhor amigo do homem

Você pensa que uma clinica de sucesso é aquela em que não se cometem muitos erros? Está errado.

A diferença entre o sucesso e o falhanço está na persistência com que lidamos com os nossos erros e na aprendizagem que fazemos com os mesmos.

Os erros que comete são momentos de aprendizagem importantes. É essa aprendizagem que vai criar uma clinica de sucesso.

A minha história pessoal

Eu sou um sonhador por natureza.

Por isso ainda estava no 3º ano de curso e já me imaginava a ganhar toneladas de dinheiro com pacientes a fazerem fila para se tratarem comigo.

E como o paciente é a melhor publicidade depois de tratar um ele certamente me iria enviar a mulher, o irmão mais novo e o pai.

Estes, por sua vez, iriam enviar um batalhão de novos doentes na minha direção.

E como era um bom aluno teria um sucesso clinico imediato.

Mas muitas das ilusões que me ensinaram na escola não serviam para muito e os doentes estão longe de serem a melhor publicidade… especialmente quando és novo no mercado!

Para não falar da dificuldade em arranjar locais bons para dar consultas.

Portanto, vi-me em frente a um deserto de realidades dificeis de aceitar mas, eventualmente, tive sorte. Tive muita sorte.

Como era uma barra em acupuntura clinica e não havia muita concorrência para professores de acupuntura eu pude começar a dar aulas logo de início o que me facilitou muito a vida porque me deu uma fonte de rendimento e estímulo para estudar.

E tive pais que me apoiaram sempre (um dos requisitos essenciais para quem quer ter sucesso no privado e tem de construir tudo de origem).

Mas como tinha muito tempo livre continuei a investir na minha formação.

Prescindi de parte do meu ordenado de professor e investi numa licenciatura em medicina nuclear.

Acabava as aulas e ia apressado dar uma massagem para o estoril.

Não tinha férias nos estágios porque como dava consultas e não conseguia conjugar as duas fazia as horas de estágio em falta nos meus períodos de férias.

E ao mesmo tempo que estudava para testes e fazia diretas para acabar relatórios de estágio fui desenvolvendo o meu método de acupuntura clinica.

E depois da licenciatura fiz o mestrado em radiofarmácia.

Tanto a licenciatura como o mestrado foram feitos pelo interesse científico. Não foram um investimento clinico como poderia ter sido uma licenciatura em fisioterapia ou nutrição, mas ajudaram-me sempre.

E por esta altura já tinha lançado um curso de acupuntura para fisioterapeutas que foi um sucesso nacional e já tinha algum nome formado na praça.

E depois tirei o meu diploma em osteopatia e continuei a investir em formações.

E não tenho dúvida que o meu futuro vai ser passado a aprimorar-me.

Não pensem com isto, que atualmente eu passo o tempo todo a estudar anatomia ou técnicas terapêuticas de vanguarda.

Uma boa parte do meu tempo passo a escrever, aprender a construir sites, estudar técnicas de marketing, etc… de forma a criar a minha marca, garantir que chega ao topo e mante-la lá.

Se vocês estão a ler este artigo é porque fui bem sucedido nesse campo.

Soube criar a minha marca pessoal (apesar dos inúmeros erros cometidos ao longo dos anos), soube apostar em formações que promovessem o meu enriquecimento profissional (apesar de muitas escolhas mal feitas) e fui teimoso o suficiente para lidar com a cascata de problemas e dúvidas e insucessos que foram aparecendo.

beneficios da acupuntura

Conclusão sobre novos acupuntores

O mercado não vai ser simpático para os novos acupuntores.

A maioria não vai aceitar bem o choque entre as ilusões estudantis e a realidade clinica.

Lembro-me de uma osteopata com curso tirado à 15 anos ou mais me falar que da turma de 20 alunos, só 4 ou 5 é que ainda trabalhavam na área.

E isto numa altura em que o mercado não estava sobrelotado.

Tal como vocês, quando eu ia entregar curriculos a clinicas era atendido com desprezo e nunca recebia resposta de volta.

Mas depois de começar a criar nome, as clinicas vinham ter comigo a convidar-me, ou colegas indicavam o meu nome. E estas foram as clinicas onde tive mais sucesso e me mantive mais tempo.

Eu escrevo este artigo tendo um gabinete com grande movimento, sentindo alegria pelo sucesso que obtenho no meu dia a dia e pela resposta positiva que os pacientes me dão.

Mas tenho noção que demorei quase 20 anos.

Trabalhei de borla, estudei, fiz crescer a minha marca, procurei novos horizontes e desafios profissionais e cometi erros em cima de erros.

Foi a capacidade de resistir aos muitos erros e aproveitar as poucas vitórias que fez com que vos escrevesse estas linhas.

Se daqui a 20 anos estão a compreender o significado das mesmas, depende, em grande parte da forma como conseguem lidar com as vossas ilusões atuais.

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