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Satisfação profissional: entre o trabalho e a vocação

Existem 3 aspetos essenciais para se sentir satisfação profissional. Estes 3 pontos são essenciais para qualquer trabalhador (neste caso profissional de saúde) achar que o seu trabalho tem sentido.

A noção de dar sentido ao que fazemos é o aspeto motivador essencial para qualquer profissão.

Os 3 parâmteros base de avaliação de satisfação profissional são autonomia; complexidade e conexão entre esforço e recompensa.

Autonomia

A noção de autonomia é dos aspetos mais importantes para satisfação profissional.

Um exemplo histórico tem a ver com a procura constante de maior autonomia profissional por parte dos enfermeiros e dos fisioterapeutas.

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Os enfermeiros e a cura pelas mãos

A procura de autonomia também explica porque numa análise inter-cultural se observa que os enfermeiros são mais propensos para aceitar práticas como a “cura pelas mãos” seja com o nome de reiki ou outro qualquer.

Nos EUA e na Europa, em diferentes períodos, os enfermeiros abraçaram diferentes formas de práticas de “cura pelas mãos”.

Podemos justificar que está na falta de formação científica dos enfermeiros mas a verdade é que a formação científica dos mesmos é mais que suficiente para se detectarem fraudes infantis como esta.

O facto de ser uma prática que lhes dá autonomia e os liberta da supervisão médica torna este tipo de práticas muito apelativas.

Os fisioterapeutas enquanto profissionais liberais

Uma das razões pelas quais os fisioterapeutas também procuram estudar osteopatia e acupuntura é pelas vantagens económicas e autonomia profissional.

Uma consulta de fisioterapia é pouco mais de 10 euros mas uma consulta de osteopatia ronda os 40 euros.

E na consulta de acupuntura ou osteopatia não existe nenhum médico a controlar o trabalho e a decidir o que o fisioterapeuta deve fazer.

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Complexidade

Um dos aspetos mais frustrantes do trabalho diário com medicina nuclear está na discrepância entre os conhecimentos exigidos e a simplicidade das tarefas do dia a dia.

Depois de 4 anos de estudo com matérias complicadas, relatórios de centenas de páginas, testes de física, química, matemática e uma série de matérias altamente técnicas o trabalho diário resume-se a meia dúzia de técnicas que serão mecanizadas em muito pouco tempo.

A rotina aliada a uma muito pequena autonomia torna o trabalho muitas vezes menos aliciante do que em relação a outras profissões de saúde.

Pela minha experiência a acupuntura, enquanto trabalho diário, é muito mais aliciante e garante maior satisfação profissional: tenho total autonomia e sou obrigado a estar constantemente a lidar com diferentes casos que exigem soluções diversificadas.

Um tratamento tem de entrar em linha de conta com o diagnóstico, a história clinica do paciente, a sua sensibilidade, a resposta a tratamentos anteriores, a evolução semiológica, etc…

Se numa hora trato uma paciente grávida com insónia na outra hora tenho de reabilitar o membro superior de um paciente com um acidente vascular cerebral (AVC).

Conexão entre esforço e recompensa

O mais difícil de conseguir num mercado muito concorrido numa fase inicial.

Mas quando a engrenagem trabalha bem surge esta conexão entre esforço e recompensa que serve de estímulo à nossa constante evolução e que alimenta o sentimento de satisfação profissional.

Quanto mais tempo demora esta conexão a surgir maior a probabilidade do profissional de saúde abandonar o projeto em que se encontra.

Sentir segurança financeira, sentir o prazer de ver as melhorias nos sintomas do paciente, sentir o carinho dos pacientes pelo nosso trabalho gera essa conexão que se forma entre o esforço que investimos durante anos e a recompensa do mesmo.

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O trabalho criativo

A associação do trabalho autónomo, a existência de procedimentos complexos e desafiadores e a conexão entre esforço e recompensa permite ter um trabalho mais criativo e pessoalmente mais recompensador.

A criatividade é essencial num projeto de longo prazo.

Muitos alunos meus de fisioterapia preferem ter gabinete próprio onde podem definir os seus próprios tratamentos mesmo usando conhecimentos novos que não são mainstream a trabalharem sobre ordem de um médico que lhes define o que fazer e não dá margem de manobra.

Sem dúvida que menos criatividade e maior mecanização é um resultado final e pouco desejável para o profissional de saúde.

A importância de cresceres com a tua marca

Outro aspeto relevante tem a ver com a forma como te identificas e cresces com a tua própria marca.

A tua experiência pessoal e profissional enquanto terapeuta que te ajuda a definires a tua identidade profissional é essencial para a sensação de bem estar pessoal.

Saberes de onde vens, como te construíste, quais as tuas falhas e como as podes colmatar, ter a consciência do teu próprio crescimento, etc…

Trabalho, trabalho, trabalho

Em primeiro lugar eu não entendo conceitos como fazer greve, recusar a fazer horas extraordinárias ou mesmo ter um horário de trabalho.

Em segundo lugar eu não vejo a lógica entre a separação da vida pessoal e profissional, tal como acontece com outros profissionais de saúde.

Um simples exemplo: estou a escrever estas linhas no primeiro dia de férias após ler parte do livro Outliers.

Este artigo vai ser publicado num site meu e ajudará a divulgar os meus serviços. Faz parte do meu trabalho.

Mas eu não o sinto como trabalho e sim como uma expressão escrita da minha criatividade.

No entanto essa mesma expressão criativa iria sentir-se muito insultada caso tivesse de escrever um artigo para divulgar o serviços do meu patrão no meu primeiro dia de férias.

O meu cérebro seria invadido por ecos revoltados a gritarem “tribunal de trabalho”.

Com a autonomia, a complexidade e a conexão entre esforço e recompensa vem uma sensação de auto-realização grande, mas isso só se consegue com trabalho, trabalho, trabalho.

Certamente com um espírito de sacríficio muito grande em particular nas fases iniciais da carreira.

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O significado da vida e a procura de um significado para qualquer coisa

As religiões tentam vender o slogan do significado da vida de forma a auto-credibilizarem-se.

Dificilmente o significado da vida nos será entregue numa bandeja medieval a troco de uns poucos euros no dia do Senhor.

Talvez o significado da vida não seja algo construído e pronto a ser entregue a quem se predisponha a determinadas crenças mas sim algo que devemos construir para nós próprios no dia a dia.

O significado da vida não é mais do que uma expressão construtiva daquilo que fizemos da nossa vida.

É a noção de trabalho/projeto pessoal “com sentido” que surge da associação entre autonomia, complexidade e conexão entre esforço e recompensa que nos permite dar sentido a todo o nosso passado. Seja ele pessoal ou profissional.

Não será essa noção de percurso pessoal, consciência de saber de onde venho e para onde devo ir para me construir melhor que no final nos dá um significado para a nossa vida?

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