trilogia clinica síndrome do intestino irritável

Síndrome do intestino irritável ou Cólon irritável

Definição de Síndrome do Intestino Irritável

Esta síndrome é compreendida como a relação complexa de um conjunto de fatores psicossociais e fisiológicos.

Ainda não existe causa conhecida que provoque o Síndrome do Intestino Irritável, no entanto sabe-se que existem uma série de fatores que podem desencadear crises como as emoções ou a alimentação.

Entre os principais sintomas encontram-se:

1 – cólicas intestinais;

2 – distensão abdominal;

3 – flatulência;

4 – diarreia ou diarreia alternada com obstipação;

5 – sensação de evacuação incompleta após defecar.

Uma vez que o diagnóstico é diferencial o paciente deve sempre garantir que é acompanhado pelo médico de forma a descartar outras doenças.

Neurofisiologia do Síndrome do Cólon Irritável

O nervo vago como interface do eixo cérebro-intestino-microbiota é o nome de um artigo muito interessante que explica a neurosifisologia do síndrome do intestino irritável (SII). As próximas linhas são uma tradução/resumo do abstrato do artigo.

O microbiota refere-se ao conjunto e microorganismos que habitam um dado ecossistema, sendo que neste caso, o intestino forma o ecossistema. Por seu lado o intestino está muito dependente do Sistema Nervoso Autónomo que leva informação ao cérebro sobre o funcionamento do ecossistema.

O nervo vago é o principal nervo do Sistema Nervoso Parassimpático (parte do SNA) sendo constituído por fibras aferentes (80%) e eferentes (20%).

As fibras aferentes ou sensitivas são responsáveis por levar informação do meio externo para o cérebro. São estas fibras aferentes que conseguem analisar os metabólicos da microbiota local  enviar a informação de volta para o cérebro de forma a gerar uma resposta.

Já foi descrita uma via anti-inflamatória colinérgia via fibras eferentes vagais capaz de diminuir a inflamação periférica e diminuir a permeabilidade intestinal. Provavelmente esta via permite modular a composição do microbioma.

O stress inibe o nervo vago e provoca uma sobre-ativação simpática, provocando alterações no trato gastro-intestinal e microbiota locais estando envolvido na patofisiologia de doenças como Sindrome do Intestino Irritável ou Doença Inflamatória Intestinal.

A inibição do simpático e ativação do parassimpático são estratégias relevantes para diminuir a inflamação local e aliviar os sintomas destas doenças.

crise de cólicas lombar

Tratamento na medicina chinesa

Na maioria das vezes o tratamento de síndrome do intestino irritável com medicina chinesa é bastante rápido e eficaz.

Os resultados são melhores e o tratamento mais barato quando o paciente refere unicamente diarreia e mais complicado quando existe alternância entre diarreia e obstipação.

Na maioria das vezes os pacientes conhecem bem os alimentos que desencadeiam as crises de síndrome do intestino irritável pelo que os conselhos dietéticos acabam por ser fáceis.

O tratamento principal para síndrome do intestino irritável é a fitoterapia chinesa sem a qual não é possível ter resultados tão excelentes.

Obviamente que cada caso é um caso e existem poucos pacientes que não respondem aos tratamentos.

De notar que este artigo é escrito somente para síndrome do intestino irritável sendo que a complicação com outras patologias como úlceras gástricas ou gastrites crônicas afetam a forma como o tratamento decorre e a eficácia do mesmo.

Tratamentos de eleição para síndrome do intestino irritável

Dietética

A dietética é relevante em 3 aspetos do tratamento do intestino irritável.

É importante para o diagnóstico em medicina chinesa pois os alimentos que agravam os sintomas dão informação sobre o tipo de padrão clinico.

É importante para avaliação de tratamentos pois permite analisar a resposta do paciente aos mesmos alimentos ao longo do tratamento.

É normal notar que os pacientes começam a ganhar tolerância a alimentos ou bebidas que antes do tratamento provocavam sintomas, como por exemplo, estudar a reação do apciente ao consumo do leite.

É importante para o tratamento da paciente pois alguns alimentos (ou a forma como são cozinhados) ajudam a prevenir o aparecimento dos sintomas.

Por exemplo um paciente pode sofrer com cólon irritável quando come maçâs cruas mas tolera bem a maçâ cozida.

Acupuntura

Tem grande utilidade no alivio da dor e desconforto abdominal.

Pode ter alguma utilidade no alivio de borborismos, diarreia e obstipação.

Pode ser relevante se existir envolvimento de estados emocionais no aparecimento de sintomas de síndrome do intestino irritável.

Na acupuntura tradicional chinesa principais pontos de acupuntura para tratar síndrome do intestino irritável encontram-se nos membros inferiores (pernas) e abdómen.

Pontos de acupuntura na região lombar e sagrada também podem vir a ser relevantes.

Fitoterapia

é mais fácil tratar quando o paciente tem diarreia e mais difícil quando existe alternância entre diarreia e obstipação. Este segundo caso exige mais fórmulas.

Quanto mais simples o tratamento de fitoterapia melhor.

É possível usar chás ou pequenas receitas caseiras no alívio de sintomas.

No entanto existem fórmulas de fitoterapia chinesa que obtêm resultados excelentes e duradouros pelo que o acompanhamento por um especialista de medicina chinesa é relevante.

futuro da farmacoterapia medicamentos

Quando os pacientes são os melhores médicos

Recentemente tratei um caso clínico sobre síndrome do intestino irritável (cólon espástico).

Durante a fase de diagnóstico clínico a paciente referiu que os sintomas (diarreia e borborismos) eram desencadeados quando comia alimentos crus como frutas, saladas ou sushi.

A paciente também referiu que o consumo de álcool não agravava o problema.

Estas informações são extremamente importantes para o diagnóstico clinico pois o facto, dos sintomas serem desencadeados por alimentos crus indicava uma deficiência do Baço que se manifestava pela incapacidade de digerir alimentos crus.

Existem outros pacientes com a mesma doença (cólon espástico) cujos sintomas não são desencadeados pelo consumo de alimentos crus mas sim pelo consumo de álcool.

O álcool é de natureza quente e, nestes casos, muitas vezes existe um padrão de calor a afetar o sistema digestivo.

Como se compreende, pelo que ficou escrito acima, os fatores desencadeantes de um sintoma podem ser importantes para se compreender qual o padrão clínico associado a determinada queixa (neste caso síndrome do intestino irritável).

Sem dúvida, o conhecimento dos fatores desencadeantes também mostram que, muitas das vezes, os melhores médicos são os próprios doentes.

Não há ninguém que conheça o doente melhor do que ele mesmo, nem há ninguém que compreenda melhor os seus sintomas que o próprio doente.

No tratamento daquela paciente eu limitei-me a nutrir o qi do Baço, tornando os fatores causais irrelevantes para a qualidade de vida da paciente.

Após os tratamentos, os sintomas deixaram de se manifestar, mesmo na presença de fatores causais.

Mas uma etapa importante no tratamento foi o facto da paciente saber o que tinha a fazer para prevenir o aparecimento dos sintomas.

O médico ou o acupunturista não são, na maioria das vezes, mais do que pedreiros que tentam construir uma estrada por onde o paciente possa andar.

É o paciente que sabe o rumo que tem de seguir, pois conhecendo o corpo e a forma como reage a diversos estímulos é possível prevenir os sintomas.

Técnicas de acupuntura para harmonização autonómica

Na acupuntura contemporânea existem uma série de técnicas que podem ajudar a inibir o simpático e ativar o nervo vago e o sistema nervoso parassimpático.

Ao conjunto destas técnicas eu chamo “harmonização autonómica” pois o objetivo é garantir a harmonia do sistema nervoso autónomo.

Entre estas técnicas contam-se:

1 – Estímulo invasivo dermo-visceral;

2 – Dermoneuromodelação vagal;

3 – Neuromodulação periférica segmentar (pode ser feito com acupuntura elétrica);

4 – Neuromodelação Parassimpática Sagrada (pode ser feito com acupuntura elétrica);

5 – Inibição Simpática Segmentar;

6 – Estímulo próprio do Nervo Vago.

Apesar de algumas destas técnicas também promoverem relaxamento, é possível adicionar outras técnicas mais especificas para relaxamento ajudando a combater a componente ansiosa da doença.

síndrome do intestino irritável cólon irritávelFoto de Andrea Piacquadio no Pexels

Casos Clínicos

Tratar síndrome do intestino irritável com acupuntura

Paciente do sexo feminino, na faixa etária dos 30-35 anos. Apresentava queixas intensas relativas a um mau funcionamento intestinal com diarreia, dor e borborismos como principais sintomas. Foi diagnosticada pela Medicina Ocidental com Síndrome do intestino Irritável.

A paciente apresentava diarreias aquosas e/ou fezes moles, 3 a 4 vezes ao dia, com borborismos. Os sintomas eram desencadeados pela ingestão de alimentos crus como saladas, frutas ou sushi. Através da análise semiológica chegou-se à conclusão da existência de um padrão de Vazio de Qi do Baço.

Os tratamentos de medicina chinesa, para tratar síndrome do intestino irritável, foram efectuados recorrendo a acupuntura e matéria médica (vulgo fitoterapia). No total foram feitos 6 tratamentos de acupuntura chinesa com 1 semana de intervalo entre cada um e 2 semanas de intervalo no último tratamento. A paciente apresentou uma recuperação muito rápida tendo os sintomas de síndrome do intestino irritável desaparecido e os horários intestinais normalizado.

Posteriormente a paciente fez algumas consultas de acupuntura esporádicas para prevenir aparecimento de sintomas.

Síndrome de intestino irritável

Síndrome de cólon irritável era o diagnóstico médico desta paciente do sexo feminino com 26 anos.

A paciente apresentava dor abdominal, diarreia após alimentar-se, inchaço abdominal e flatulência.

Momento de crise de cólon irritável provocavam sintomas de rinite alérgica.

No passado já tinha tentado vários tratamentos, inclusivamente medicina chinesa durante 6 meses e sem sucesso.

Os tratamentos selecionados para tratar esta paciente foram a fitoterapia chinesa e acupuntura tradicional chinesa.

A paciente respondeu muito positivamente aos tratamentos sendo que ao final de 7 tratamento apresentava somente algumas fezes moles e total desaparecimento dos outros sintomas.

Secundariamente a paciente apresentava “sindrome da patela elevada” que não respondeu aos tratamentos de fisioterapia. Foi reencaminhada para um osteopata que a tratou com sucesso.

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