argumento antiguidade

O argumento antiguidade: falhas lógicas de uma falácia

O argumento antiguidade ou argumentum ad antiquitatem é uma falácia que define a superioridade de algo pela sua idade.

Faz um apelo à tradição e é comum instalar-se em todos os níveis da vivência humana.

Quantos de nós ouvimos os nossos pais dizer que antigamente é que havia valores familiares?

Existe uma extensa literatura cientifica a mostrar uma evolução muito positiva nos direitos humanos, minorias e na estabilidade familiar.

Mas, para muitos dos nossos pais, antigamente é que era bom.

Os eletrodomésticos funcionavam melhor e avariavam menos vezes, as pessoas eram mais saudáveis, os escritores sabiam escrever bons livros, etc…

Este argumento antiguidade não podia passar ao lado dos acupuntores.

“A acupuntura tem 5000 anos. Isto significa alguma coisa”.

“Há 5000 anos que a MTC vem tratando com sucesso 1/3 da população mundial”.

“São 5000 anos de experiências bem sucedidas”.

“A sua antiguidade é sinónimo de prática válida”, etc…

Como aluno cresci a ouvir este argumento. Como professor e profissional ouvi sistematicamente os meus colegas usarem e abusarem do argumento antiguidade.

Ainda há uns anos, numa discussão no facebook pude ler o argumento:

“Na Medicina Chinesa estamos de acordo, não há espaço para crenças e misticismo, mas não se pode culpabilizar um conjunto de disciplinas condensadas numa Medicina apenas porque não apareceu nenhum iluminado para comprovar cientificamente a constatação analítica de uma enormidade de resultados experimentais.”

O argumento antiguidade está presente em todos os níveis existenciais dos terapeutas.

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Um Slogan com 5000 anos: da obesidade à Esclerose Múltipla

É considerado como facto que a acupuntura é um tratamento eficaz para um vasto conjunto de dores..

É considerado que a acupuntura é um potencial tratamento na recuperação neuro-muscular (pacientes com AVC).

E também se sabe que é uma inutilidade no tratamento de dependências.

Não cura o cancro nem é uma inovação técnica disruptiva como foram as vacinas.

Sabemos isto pelo valor do conhecimento histórico e da evidência cientifica.

No entanto tudo isto é irrelevante porque os resultados dos estudos cientificos só são usados consoante o seu interesse para a profissão.

Prova-se que um ponto (6MC) é bom para tratar sintomas digestivos e ficam todos contentes.

Prova-se que um conjunto de pontos não consegue tratar dependências e surgem as diversas desculpas:

1 – protocolos não foram personalizados,

2 – acupuntura foi feita fora de horas,

3 – os terapeutas eram incompetentes,

4 – estudos são mal conduzidos, etc…

E como é que sabemos isto tudo?

Porque a acupuntura já tem 5000 anos, logo deve funcionar. Tal como manda o argumento antiguidade.

A argumento antiguidade, usando 5000 anos de existência é excelente, poi foi assim que eu soube que os chineses já usavam a acupuntura para tratar obesidade à 5 mil anos.

Isto apesar da obesidade ser um problema bastante recente na China e ainda à meia dúzia de anos duvido muito que se encontrassem obesos na China.

Numa palestra sobre MTC e Esclerose Múltipla a palestrante defendeu-se de uma crítica dizendo que a MTC já cá anda há 5000 anos!

A esclerose Múltipla é caracterizada por imensos sintomas que podem ser diferentes de paciente para paciente.

É pura e simplesmente ridículo afirmar que a Esclerose Múltipla pode ser tratada pela acupuntura porque esta já tem 5000 anos. A acupuntura não é vinho do Porto.

Torna-se necessário saber para qual dos diferentes sintomas é que esta terapêutica pode efetivamente dar um maior alívio e não saber que os nossos antepassados já faziam acupuntura há muitos anos atrás. 

eles tratam sintomas nós tratamos as causas

O método cientifico e a inovação tecnológica: 2 crises existenciais para os tradicionalistas

O método científico tem trazido bastantes alegrias à investigação junto das plantas medicinais com propriedades radioprotetoras.

Através da metodologia cientifica está a ser possível estudar a farmacopeia indiana e chinesa à procura de plantas medicinais que possam ser usadas como radioprotetoras.

Tem-se descoberto as concentrações em que essas plantas oferecem maior radioprotecção, os seus diferentes constituintes e mecanismos celulares e bioquímicos através dos quais oferecem radioprotecção, etc…

Na acupuntura também se tem dado uma evolução bastante boa:

1 – uso de raciocinio clinico contemporaneo adaptado aos nossos conhecimentos anatomopatológico-fisiológicos;

2 – uso de técnicas de estimulação elétrica mais avançadas;

3 – uso e imagiologia médica para melhorar a precisão da punção, etc…

Talvez estas novas formas de pensar a acupuntura e de desenvolver as medicinas tradicionais encontrem tanta resistência por parte de muitos acupuntores, mais tradicionalistas, por não terem 5000 anos.

Deve ser bastante humilhante para um acupuntor tradicionalista ter de dizer ao paciente que os conhecimentos que está a usar não tem mais de 20 anos.

Quem sabe qualquer dia só se poderá fazer acupuntura após festejarmos os 5000 anos de existência.

As falhas históricas do argumento antiguidade

Existem várias falhas lógicas do argumento antiguidade.

Nas próximas linhas vamos apontar diversos factos e falhas lógicas que não sustentam grande apoio a este tipo de argumentação.

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Do menino Jesus ao Imperador Amarelo

Quando olhamos para o mundo das descobertas científicas e invenções tecnológicas, notamos que o argumento de antiguidade não se encontra presente.

Ninguém considera a teoria da gravitação universal mais válida que a mecânica quântica por ser mais velha.

A teoria heliocêntrica não é mais valiosa que a teoria da relatividade por ter mais 500 anos de rugas em cima.

Só de pensar nestes argumentos é impossível não esconder o sorriso que os mesmos provocam.

De acordo com a ciência um tratamento médico é válido porque demonstra que é válido e não porque é muito antigo.

A sangria é um exemplo claro de um tratamento médico antigo que foi abandonado por se mostrar que não funcionava.

A história está recheada de exemplos de práticas médicas antigas que já não se utilizam devido a serem inúteis, contraproducentes ou obsoletas.

O argumento antiguidade, como valor objetivo de qualquer coisa, parece ser útil nos meios mais tradicionalistas ligados à religião.

O argumento antiguidade sempre foi extremamente importante para as religiões.

Provavelmente é a razão pela qual os cristãos “roubaram” o antigo testamento aos judeos, quando este vai contra o seu Novo Testamento.

O Velho Testamento fornece a antiguidade que dava credibilidade à religião cristâ.

Ao longo da história do cristianismo o argumento antiguidade foi usado um sem número de vezes de forma a fazer prevalecer uma determinada crença.

“Proto-orthodox authors maintained that a canonical authority had to have been written near the time of Jesus. Part of the reasoning is that which we have seen throughout our study: the suspicion of anything new and recent in ancient religion, where antiquity rather than novelty was respected. To be sure, Jesus himself was not “ancient,” even from the perspective of the second or third centuries. But part of the value of antiquity is that it took one back to the point of origins, and since this religion originated with Jesus, for a sacred text to be accepted as authoritative it had to date close to his day.(1)”

Na medicina chinesa, existe um fenómeno parecido.

A antiguidade é usada como fonte de autoridade. Ao contrário da medicina ocidental, os clássicos não são vistos pelo seu valor histórico mas também pelo seu valor clinico.

Clássicos como huang di nei jing ling shu su wen (livro do Imperador Amarelo), Mai Jing (O clássico do pulso), entre outros,  são vistos como obras de referência por muitos acupuntores.

“… Huang Di nei jing su wen … (Su wen), an ancient text that, together with its sister text, the Huang Di nei jing ling shu … (Ling shu), plays a role in Chinese medical history comparable to that of the Hippocratic writings in ancient Europe. Progress and significant paradigm changes have reduced Hippocrates to the honored originator of a tradition that has become obsolete. In contrast, many practitioners of Chinese medicine still consider the Su wen a valuable source of theoretical inspiration and practical knowledge in modern clinical settings. (2)”

Um livro, considerado a Bíblia da Medicina Chinesa, foi escrito há 2000 anos (na realidade são dois livros).

Considerando que o livro foi seriamente manipulado nos 8 primeiros séculos da nossa época, que provavelmente não corresponde ao livro original e que nem sequer expressa as formas de pensar mais atuais é de estranhar que os profissionais ainda lhe deem tamanha importância.

Isto não significa que o huang di nei jing ling shu su wen não seja uma obra importante:

1 – ela oferece dados importantes sob a forma como os chineses viam a natureza e a dinâmica da medicina chinesa antiga;

2 – é relevante para nos dar um conhecimento mais aprofundado das origens da medicina chinesa;

3 – permite fazer um estudo mais completo sobre as diferenças e semelhanças entre medicina chinesa e ocidental relativamente aos seus conceitos culturais de saúde, doença e morte.

Na ciência ocidental um livro destes teria interesse a nível histórico mas nunca o interesse clinico que tem para muitos profissionais.

Obviamente que existem 3 particularidades do pensamento chinês que tornam este livro interessante:

1 – muitas fórmulas mencionadas em clássicos são usadas hoje porque estão pensadas numa forma de classificar sintomas ainda usada;

2 – a autoridade dos autores antigos sempre foi muito respeitada na cultura chinesa;

3 – a cultura chinesa não é disruptiva mas sim continua. Os chineses sempre juntaram o conhecimento antigo com o mais recente sem nunca fazerem aquilo a que se pode chamar “uma revolução de conceitos”.

No entanto o problema da antiguidade dos clássicos não é o mesmo argumento antiguidade usado no ocidente.

No primeiro valida-se e reconhece-se o conhecimento dos antigos e no segundo procura usar-se a idade como prova de eficácia.

Quando se olha para os diferentes tratamentos usados ao longo da história e abandonados nessa mesma história e para a forma de se estabelecer tratamentos válidos de forma objetiva e séria fica difícil reconhecer qualquer tipo de crédito objetivo ao argumento antiguidade.

O argumento antiguidade pode ser importante para tradicionalistas agarrados à tradição e para religiosos que acham que rugas é sinónimo de verdade teológica mas dificilmente poderá ser um argumento válido para se instituir uma terapêutica adequada e verificada.

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Espíritos, demónios e o xamanismo há 5000 anos atrás

Usar a antiguidade para sustentar na história a validade de determinado tratamento muito dificilmente poderá ser considerado como válido.

Mais não seja porque a medicina chinesa praticada hoje nada tem a ver com a medicina chinesa de há 5000 anos.

Na realidade há 5000 anos ainda não existia medicina chinesa e seria mais correto falar em xamanismo chinês.

Não existiam conceitos de doenças ou padrões sendo os fatores patogénicos externos compreendidos como entidades espirituais.

O vento era a base da demonologia chinesa, os shen´s representavam espíritos que vagueavam pelo mundo, as curas eram feitas com base em cânticos e muitas das teorias usadas hoje em dia nem sequer tinham sido criadas.

Não se descreviam os pontos de acupuntura que se descrevem hoje em dia e a acupuntura era um tratamento muito mais perigoso do que hoje se pode imaginar.

Da dinastia Tang à Song

Durante imensos períodos da história chinesa a acupuntura era preterida em favor da moxibustão, um tratamento muito mais seguro.

Por exemplo, Wang Tao (670-755), compilou a obra Wai Tai bi yao (arcane Essentials from the Imperial Library) na qual defendia:

“acupuncture can kill healthy people, and cannot revive those who are dead. If one desires to adopt this technique, I am afraid he will harm life. [Therefore] at this present compilation I do not adopt [the technique of ] the Acupuncture Classic, I only adopt moxibustion”(3)

Na dinastia Song, 300 a 400 anos após a publicação da obra Wang Tao, conta-se a história da descoberta de um novo ponto de acupuntura para tratar o imperador.

Na história está bem patente o receio relativamente à puntura de determinadas zonas do corpo:

“[Sometime] during 1034, Renzong did not feel well. His attending physicians repeatedly administered drugs but to no avail. The people’s hearts filled with worry and fear. The Princess Supreme of Hebei recommended Xu Xi [for the emperor’s treatment]. Xu examined the emperor said: “If I needle between the lower aspect of the heart and the cardiac envelope junction tract, then recovery will be rapid.” The observers in the room contended saying it cannot be so. Several Palace Gentlemen begged to use their bodies to test the treatment. Xu needled them and there was no harm whatsoever. Subsequently, Xu needled Renzong, and the emperor’s disease was cured. He then ordered Xu made an official at the Medical Institute, gave him a red robe, a decoration of official rank, goods, and Money”(4)

Não era comum um paciente permitir ser punturado no peito devido aos riscos associados ao mesmo.

O texto chama a atenção para o fato do imperador Renzhong ser um adepto da acupuntura o que é notável quando comparamos com os intelectuais da dinastia Tang que rejeitavam a acupuntura devido ao risco de lesões.

argumento antiguidade factos históricosFoto de Miguel Á. Padriñán no Pexels

Entre os ricos e os pobres

Por outro lado a maioria dos chineses não teve acesso aos tratamentos de medicina tradicional chinesa ao contrário do que o argumento antiguidade possa dar a entender.

Historicamente este argumento assume que a medicina está formada desde o início (já vimos que não é verdade) e que os chineses lhe tiveram acesso. Nada mais longe da realidade.

A medicina chinesa teve altos e baixos ao longo da sua história:

1 – até à dinastia Song não era bem vista sendo uma prática detestada pela elite chinesa;

2 – eram mais os bruxos e feiticeiros que os médicos;

3 – a maioria nem sequer tinha boa formação, ou sequer qualquer tipo de formação para exercer.

Antes da dinastia Song só meia dúzia de profissionais é que tinham acesso aos clássicos.

O imperador Huizong, da dinastia Song, demonstra bem o tipo de medicina a que o povo se encontrava exposto:

“I feel pain and pity over the stasis of the great way and the accumulation of vulgar customs. I acutely feel for the prolonged illnesses of my people, and I am pained by the undisciplined practices of incompetent doctors whose study is not extensive and whose knowledge is unenlightened. They ignore the regularities of the Five Phases and the transformations of the Six Qi, and they do not search for their hidden meaning or their far-reaching implications. By ignoring small details such as climate and its variations, they cause great harm to the patient.”(5)

Durante a mesma dinastia Song, em 1069, surge no prefácio da obra Jianyao jizhong fang (Arcane Essentials from the Imperial Library) uma descrição do estado da saúde pública chinesa e da educação médica da altura:

“On 6 July 1051, a direct Palace Order: “A memorandum reported: ‘When I, Liao, previously went to the south to visit prefectural army units, there had been epidemics and miasmic diseases [there] for years on end. In the places most seriously affected, more than a hundred thousand people died in a single prefecture. Although some discrepancy in the ordinances of heaven must have brought about these deaths, the mistakes of doctors must have increased the incidence of disease. I have interrogated prefectural officials in some detail. In every case there was a lack of medical books to study. Aside from the Basic Questions and Origin of Disorders, [teachers and students of medicine] were transmitting and studying

faked books and bad editions.42 Therefore, what they learned was of a low standard, and they served their patients badly. They ardently hope that out of sagely compassion [Your Majesty] will have medical books kept in the Imperial Family Archives especially brought out, and will entrust officials with choosing the most useful among them, collating them to prepare definitive editions and sending them to Hangzhou to have blocks cut and printed. Let your imperial beneficence thus extend to the most obscure places, so that the people will be spared early deaths’.”(6)

Dificilmente estes relatos históricos se adequam ou apoiam o argumento antiguidade como válido.

Eles negam os pressupostos em que se baseia o argumento antiguidade, nomeadamente

1 –  os chineses sempre tiveram acesso à MTC;

2 – as teorias usadas e tratamentos, assim como a forma de os pensar, sempre estiveram disponíveis.

O valor da história

A dinastia Song (960-1200) foi um período de ouro para a medicina e sociedade chinesa no geral, mas só começou há 1000 anos atrás e depois dessa belle epoch surgiram épocas mais negras.

Até à época Song:

1 – a maioria dos clássicos só tinham sido lidos por meia dúzia de pessoas,

2 – a maioria dos clássicos disponíveis eram de pobre qualidade com erros enormes,

3 – muitas das teorias usadas hoje ou formas de pensar os tratamentos ainda não tinham sido plenamente definidas.

A falta da qualidade das obras técnicas levou o secretário do palácio, Han Qi, a escrever sobre as expectativas do imperador relativamente à literatura médica:

“The current editions of the Divine Pivot , Grand Basis , “AB” Canon of the Yellow Emperor, [Formulas of ] Guang ji , Essential Prescriptions Worth a Thousand, and Arcane Essentials from the Imperial Library, contain many errors. Although the Divine Husbandmen’s Materia Medica was once revised during the Kaibao reign period (968–975), the published edition still contains omissions. We invite selected officials knowledgeable in medical texts and officials of the Palace Physician to prepare a definitive edition of these books and issue them to make up for this lack.”(3)

Apesar das citações aqui referidas, a dinastia Song marca o início da preocupação com a saúde pública em toda a história da humanidade.

Só séculos mais tarde os ocidentais começaram a ter as mesmas preocupações e a definir políticas públicas nesse sentido.

As citações foram referidas no sentido de mostrar que apesar dos avanços em termos de saúde pública na dinastia Song o argumento antiguidade não é claramente válido.

A MTC tem uma história riquíssima e o seu valor não deve ser menosprezado:

1 – mostra como os conceitos de saúde e doença evoluíram ao longo da cultura chinesa;

2 – mostra a forma como evolui-o de um sistema de xamanismo pré-histórico para um sistema clinico altamente sistematizado;

3 – como a perspetiva social de determinados tratamentos se alteraram na medida que as técnicas dos mesmos evoluíram, como a lenda se mistura com achados clínicos.

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O valor dos dados objetivos 

Atualmente imensa investigação científica feita com princípios ativos radio-protetores e rádio-sensibilizadores vasculha na vasta informação existente sobre farmacopeia chinesa e ayurvédica há procura de fitoquímicos que possam ser úteis.

Outros estudos começam a procurar e a encontrar dados que permitem associar a classificação tradicional de plantas com uma possível chave bioquímica.

O estudo do conhecimento tradicional é essencial para qualquer uma destas investigações.

Mas isto não valida uma inutilidade como o argumento antiguidade pelo simples fato que, em última instância, são os dados objetivos que vão definir a validade de um tratamento e não a sua antiguidade.

Até os chineses com o grande respeito que tem pela antiguidade alteraram e aperfeiçoaram os seus conhecimentos.

O conhecimento passado pelos nossos antepassados pode ser valioso enquanto ponto de partida, mas dificilmente é validativo de práticas clinicas.

A acupuntura tem conhecido altos e baixos.

O sistema de meridianos foi criado pelos chineses, foi modificado e copiado ou esquecido por outros povos como os japoneses e está a ser compreendido e abandonado pelos ocidentais.

Independentemente das explicações tradicionalistas sobre a existência de um sistema de meridianos e Qi, e muito particularmente dos disparates ocidentais sobre os mesmos, a acupuntura tem feito furor no meio científico com estudos para todos os gostos e feitios.

Procura-se definir acupuntura para esta se adaptar mais facilmente aos critérios de investigação científica, ou a ideologias sócio-académicas.

Surgiu a eletropuntura e com ela princípios de seleção de pontos de acordo com sistema nervoso e miologia funcional.

Atualmente começa a puxar-se por acupuntura eco-guiada para melhorar a eficácia de tratamento em tecidos mais profundos, por exemplo.

Na dinastia Tang, Song ou qualquer outra, os chineses não tiveram acesso a estas inovações.

Como poderemos então usar o argumento antiguidade?

A natureza extática do argumento autoridade incompatibiliza-se claramente com a natureza dinâmica da evolução do conhecimento.

Novas questões numa perspetiva cientifica

Atualmente a acupuntura enfrenta desafios que antes não tinha de enfrentar.

Esta terapia nasceu numa cultura que não diferenciava o efeito placebo do efeito clinico real, mas hoje em dia temos de nos perguntar:

Para que é que é efetivamente útil?

Os chineses nunca procuraram responder a estas questões, pois eles usavam todas as terapêuticas que tinham acesso.

Pode a acupuntura ser útil para tratar a dor?

Existem tipos de dor específicos que respondem melhor à acupuntura?

E na recuperação neuro-muscular? Paralisia facial? Neuropraxia fibular? AVC?

Pode ser realmente útil?

E a forma como se pensam os pontos nestes diferentes tipos de problemas podem ser relevantes?

Como validar este argumento para problemas de saúde atuais ou para técnicas recentes que aumentaram a eficácia terapêutica da acupuntura?

marcos anatómicos pontos de acupuntura

Referências bibliográficas

1 – Erhman, B. Lost Christianities. Pág. 242

2 – Unschuld, P. Huang Di Nei Jing Su Wen, nature, knowledge and imagery in an ancient Chinese medical text. Pág. Ix.

3 – Goldschmidt, A. The Evolution of Chinese Medicine Song Dynasty, 960-1200. Pág. 29

4 – Goldschmidt, A. The Evolution of Chinese Medicine Song Dynasty, 960-1200. Pág. 30

5 – Goldschmidt, A. The Evolution of Chinese Medicine Song Dynasty, 960-1200. Pág. 41

6 – Goldschmidt, A. The Evolution of Chinese Medicine Song Dynasty, 960-1200. Pág. 86

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