Técnicas de osteopatia percepções erradas

Céticos anti-TNC e terapeutas anti-ciência

Por céticos anti-TNC compreende-se um conjunto de pessoas para quem só existem terapeutas anti-ciência e que são totalmente contra estas terapias. .

Todos nós somos céticos e na realidade pois quanto mais crente mais cético é. Imagine dizer ao maior radical religioso que o deus da concorrência é o verdadeiro!

Rapidamente ele se vai tornar o maior cético que já viu.

Todos nós em determinada medida somos céticos em relação a estas terapias não convencionais. 

Eu enquadro-me facilmente como cético no que concerne às energias dos acupuntores ou à memória da água dos homeopatas.

Como acupuntor sou muito cético em relação à eficácia da acupuntura para emagrecer é muito menos cético para tratar dor.

Portanto, tenho de salientar mais uma vez, que este artigo acaba por ser focado naquele grupo de pessoas que são totalmente, ou quase, contra todas estas áreas.

O discurso nas redes sociais tem sido dominado por esse tipo de céticos anti-TNC e é coerente que o artigo seja escrito tendo esse facto em mente.

Ouvir a oposição

Por muito maliciosos que sejam alguns comentários de céticos anti-TNC, e independentemente do tipo de resposta pessoal que cada um gosta de guardar para si, é importante salientar 3 pontos:

1 – ouvir o que a maioria tem para dizer;

2 – tentar compreender o seu enquadramento histórico-cultural;

3 – tentar compreender quais os seus pontos argumentativos fortes e fracos.

Compreender os críticos das TNC

Uma lista dos céticos anti-TNC mais conhecidos e mais dinâmicos na sociedade portuguesa incluiria nomes como: António Vaz Carneiro, João Júlio Cerqueira (aka Scimed), David Marçal, Daniel Oliveira, Carlos Fiolhais e autores Comcept.

Quando estudamos o background cultural e profissional dos céticos anti-TNC notamos vários pontos relevantes:

1 – Tem boa a excelente formação científica;

2 – Alto sentido ético e associam este sentido à sua posição científica;

3 – Acreditam na defesa do interesse da saúde pública;

4 – falta de formação em saúde ou em áreas muito especificas da saúde;

5 – Cometem os mesmos erros argumentativos e lógicos que qualquer pessoa;

6 – Tem uma visão mais hierárquica e estruturada da sociedade…

7 – e não trabalham para empresas farmacêuticas, nem fazem parte de nenhuma teoria da conspiração contras as terapias não convencionais!

A oposição fundamental nasce da percepção da recusa de aceitação dos princípios científicos, por parte dos terapeutas anti-ciência, que moldam o conhecimento que garante a sobrevivência e desenvolvimento das nossas sociedades.

homeopatia terapias não convencionais

E em muitos pontos tem razão:

1 – manipulação de ideias e conceitos científicos (energias e água com memória);

2 – posições sociais anti-científicas como o apoio a grupos anti-vacinação (que continuam apesar dos surtos de Sarampo ou a menor taxa de vacinação entre aderentes das medicinas complementares).

Como os críticos se vêmComo vêm os terapeutas anti-ciência
Formação científica é essencialSem formação científica
Alto sentido éticoVendedores de banha da cobra
Defesa do interesse públicoInteresse público está dependente das suas crenças
Argumentos baseados me ciência e lógicaManipulação de conceitos científicos e teorias da conspiração

Ouvir os críticos das TNC e compreende-los é essencial para se compreender os seus pontos argumentativos fortes, os seus valores e a suas fraquezas lógicas e argumentativas.

Discutir com os céticos anti-TNC

Pontos fortes

O grande ponto forte é a sua formação científica com a adoção de um método de crítica racional.

É fácil para Carlos Fiolhais criticar os discursos energéticos de muitos acupuntores, assim como é fácil para David Marçal criticar as ideias de que os químicos são maus e o que é natural é que é bom.

Esses slogans, muitos vendidos por terapeutas das terapias não convencionais, entram diretamente na área de saber desses críticos e permitem-lhes desmascarar imediatamente aquilo que surge como um discurso ignorante e fraudulento.

O conhecimento científico está associado à procura da verdade e qualquer forma de manipulação nunca será aceite.

A ciência procura sempre defender-se dos dogmas da religião e mágicos sem escrúpulos e os céticos vêem-se como herdeiros dessa tradição racionalista.

A religião e o pensamento mágico não só são inúteis como cientificamente contrapruducentes e socialmente lesivos.

Para os céticos anti-TNC, os terapeutas anti-ciência, são os mesmos mágicos ridicularizados por Plínio e desmascarados por Lavoisier.

São o reflexo de crenças antigas que se justificavam em filósofos como Hipátia ou Kepler pelo tempo em que viveram mas não pelo tempo em que se vive atualmente.

Qualquer forma de pensamento que pretenda destruir a objetividade e imparcialidade científica será sempre vista como um ataque à ciência.

Por isso, o recente campo do pós-modernismo tem sido constantemente atacado por vários cientistas desde Richard Feynman, Alan Sokal, Jean Bricmont ou António Manuel Batista.

A aceitação social do relativismo pós-moderno, por muitos terapeutas anti-ciência só aumenta a desconfiança dos críticos em relação a estas áreas.

céticos anti-TNC no prós e contras

Pontos fracos

Conhecimento técnico

O conhecimento técnico de muitas destas áreas é o seu ponto fraco sendo que muitos acham que não é necessário.

Se a água com memória é uma farsa científica então qual a necessidade de saber como o homeopata faz o diagnóstico?

Apesar deste tipo de argumentação ser válida para a homeopatia, torna-se desvantajosa quando aplicada à acupuntura ou osteopatia.

Critica-se a osteopatia com base em algumas coisas que o Still afirmava e não com base na neurofisiologia e biomecânica subjacente ao diagnóstico osteopático.

O David Marçal, Scimed ou Carlos Fiolhais simplesmente não tem conhecimentos para um discussão técnica a este nível.

Os céticos anti-TNC, nas críticas que fazem, tem de usar definições de acupuntura que não tem fundamentação técnica ou cultural porque é a única forma que tem de utilizar argumentação dentro dos moldes científicos que desejam usar.

Eles não são contra a acupuntura no sentido que inserir uma agulha no corpo inibe a libertação de citoquinas pró-inflamatórias e liberta citoquinas anti-inflamatórias.

Os céticos anti-TNC são contra a acupuntura que punciona pontos de acupuntura pertencentes a canais energéticos no corpo e que equilibram energias no corpo.

As definições de acupuntura que o Scimed usou, em discussões recentes comigo, eram infundadas e ridículas porque nunca se basearam na técnica mas sim nesta forma de ver o mundo.

Muitos críticos são contra a acupuntura mas não se fala em neuromodelação periférica, eletrólise percutânea ou qualquer outra forma de acupuntura que tenha uma explicação mais científica.

Por isso para o Scimed a acupuntura elétrica não é acupuntura.

Para muitos céticos anti-TNC, o potencial clínico da técnica e a definição da mesma confunde-se com os princípios ideológicos que alguns profissionais advogam, especialmente os terapeuta anti-ciência.

Estudos científicos

Criticam os estudos de acupuntura em que a acupuntura verdadeira é definida como “inserção de agulhas em pontos de acupuntura” mas nunca se discute a definição da técnica com base na técnica em si.

A acupuntura nunca foi definida nestes termos a não ser quando chegou ao Ocidente e surgiram diversos interesses em defini-la desta forma:

1 – Alguns cientistas precisavam tentar objetivar a definição da técnica para a estudar;

2 – Céticos precisavam de uma divisão mentalmente sâ (para eles…) entre o mundo tradicional da magia e o racionalismo científico;

3 – Muitos profissionais de saúde precisavam de desculpas para tentarem dominar esta técnica terapêutica.

A superficialidade da discussão apresentada pelos céticos anti-TNC é constante porque:

1 – não se pretende estudar seriamente os problemas de investigação nestas áreas;

2 – não se pretende estudar o problema do placebo numa perspetiva clinica;

3 – pretende-se unicamente diferenciar o mundo científico do mundo mágico.

O foco central dos céticos anti-TNC não está na utilidade clínica de uma terapia mas sim na delimitação da fronteira entre práticas sociais com fundamentos científicos ou práticas sociais assentes na crença, superstição e magia.

Está no enquadramento histórico-cultural que vem desde a revolução científica.

Numa discussão na página de Facebook do Scimed um cético argumentava que os acupuntores nunca apresentavam estudos científicos a comprovar efeitos neurofisiológicos da acupuntura.

Quando lhe apresentei 5 estudos interessantes a resposta foi clara: “prefiro esperar pelo resumo”.

osteopatia céticos anti-tnc

Classes e sociologia: quando a ciência e o sectarismo se juntam

A defesa de princípios científicos prende-se com uma visão social do mundo: por isso facilmente confundem críticas científicas com argumentos usados por instituições que são claramente políticos.

Numa discussão na página de Facebook do Scimed, o mesmo escreveu que a punção seca não era acupuntura porque era feita por profissionais de saúde que não eram acupuntores.

Muitos céticos anti-TNC defendem argumentos sectários do lobbie médico porque olham para estes problemas em termos de herança histórica.

Os médicos são os herdeiros culturais de Galeno, Vesalius, Avicena, Garcia da Orta, Claude Bernard. São os guardiões da cultura científica na saúde humana.

Logo, aquilo que é visto como sectarismo e abuso de confiança por muitos acupuntores, osteopata ou homeopatas, relativamente à Ordem dos Médicos, é visto como uma posição social normal alicerçada por uma herança histórico-cultural para muitos céticos.

Para o ex-bastonário da Ordem dos médicos os praticantes TNC são uma fraude que só fazem placebo mas qualquer médico que só faça placebo é um excelente médico.

Os médicos não colocam em causa a tradição científica das nossas sociedades. Por isso a maioria dos céticos não se opõe a esta dualidade de valores.

Por isso o Carlos Fiolhais se opôs à entrada de licenciaturas de acupuntura e medicina chinesa nas Universidades e Politécnicos mas esteve calado estes anos todos relativamente à acupuntura médica.

Quando aparece algum tratamento milagroso anti-obesidade os céticos escrevem artigos e publicam livros e ridicularizar a ideia.

Mas quando médicos fazem tratamentos médicos inúteis e perigosos para emagrecimento não se ouve um único cético.

Quantos tratamentos anti-obesidade a usar quantidade proibitivas de medicamentos para mexer com o funcionamento da Tiróide foram usados sem uma única crítica?

Os pacientes acabam com o dobro do peso e em filas de espera para fazer cintigrafias tiróideias, mas não se ouve um único crítico.

A jornalista Vera Novais, foi a única que decidiu falar disto e acabou a culpar as terapias não convencionais.

Os médicos só são atacados por céticos quando defendem ideias desenquadradas filosoficamente (Pinto Coelho) e não quando fazem tratamentos que se sabe serem inúteis… e alguns bem perigosos.

movimentos anti-vacinação céticos

Falta de experiência clínica

A sua formação cientifica torna-os particularmente úteis para detetar fraudes imediatas como água com memória ou energias imaginárias mas a falta de formação e experiência em saúde faz com que não sejam capazes de discutir a acupuntura e a osteopatia nas suas componentes biomecânicas e neurofisiológicas.

De todos os céticos anti-TNC mais famosos o Carlos Fiolhais é Físico Teórico, o David Marçal é bioquímico, o Daniel Oliveira é Jornalista.

Os poucos autores da Comcept que conheci não tem experiência em saúde.

Só 2 céticos anti-TNC mais conhecidos são médicos; um é médico de família e outro é de medicina interna.

Nenhum deles está habituado a pensar em termos neurofisiológicos ou biomecânicos.

Nenhum está habituado a tratar problemas músculo-esqueléticos.

Nenhum deles compreende a importância do estudo do padrão respiratório no tratamento do túnel cárpico nem sabem diferenciar a necessidade de uma abordagem mais centrada na mobilidade neural ou articular ou entre uma abordagem mais localizada ou mais funcional.

Por outras palavras nenhum deles compreende a necessidade de integrar abordagens mais invasivas e menos invasivas no tratamento do nervo e das interfaces anatómicas relevantes para o percurso desse nervo.

Nenhum deles aprendeu formas de pensar que permitem fazer uma leitura integrada de todas as componentes (nervosa, ligamentar, articular, muscular, fascial, etc…) envolvidas nas queixas dos pacientes.

Acupuntores, osteopatas e fisioterapeutas com formação nestas áreas é que conseguem compreender esta abordagem não porque abraçam uma qualquer ideologia anti-científica mas porque compreendem que podem olhar para o mesmo problema sob novos prismas sem violar os princípios lógicos exigidos por uma cultura científica.

Cada vez mais médicos e fisioterapeutas aprendem acupuntura e osteopatia. Clubes de futebol de elite sem estas ferramentas clínicas são raros.

O número de instituições governamentais e não governamentais que aconselha a acupuntura é cada vez maior.

A opinião de céticos anti-TNC médicos que não lidam com casos onde a acupuntura e osteopatia são úteis está desafasada da opinião dos seus colegas que lidam frequentemente com indicações clínicas destas áreas.

céticos anti-TNC memes

Psicologia e direito: entre a lei e conveniências argumentativas

A confusão legal de juntar biomecânica com energias e a tendência humana de categorizar de forma simples comportamentos e crenças humanas faz com que tanto os terapeutas como os críticos das TNC tenham ideias demasiado simplistas sobre a tapeçaria social do campo oposto.

Para muitos terapeutas anti-ciência ou não, o João Júlio Cerqueira será sempre um vendido da indústria farmacêutica e para o João Júlio Cerqueira os profissionais das TNC serão sempre uns profissionais da treta, uns vendedores de banha da cobra.

Somos todos vítimas de uma categorização social tirânica mas por escolha própria.

Os céticos anti-TNC costumam usar alguns padrões argumentativos: a lei não vale nada, a acupuntura não tem mecanismos fisiológicos válidos.

Quando se nega este último pressuposto a resposta é: isso não vem na lei.

Tirando o erro inicial de afirmar que a acupuntura não tem mecanismos neurofisiológicos conhecidos e o fenómeno de causalidade que confunde lei com ciência muitos praticantes TNC olham para esta forma de argumentar e contra-argumentar como hipocrisia moral.

Mas para muitos críticos a base está na Lei e na forma como esta afirma coisas que vão contra os nossos conhecimentos científicos e violam a herança cultural racionalista.

Logo tem toda a lógica assumirem esse algoritmo argumentativo.

As discussões acerca da validade destas terapias não se resumem somente a ciência mas sim à forma como desejamos interpretar a Lei, às dificuldades que temos em aceitar que estamos errados em alguns pontos, ou simplesmente a egos demasiado grandes.

Percepções Erradas

O aumento de ataques sociais tem sido associado a percepções erradas sobre o movimento de céticos anti-TNC, sobre a sua natureza, o seu impacto social e a resposta que os terapeutas devem dar.

Os principais ataques a estas áreas tem vindo de grupos de céticos de diferentes backgrounds profissionais e tem sido mais intensos nas redes sociais.

A forma como os terapeutas TNC respondem a estes ataques tem variado desde desprezo, medo, raiva, frustração ou interesse intelectual.

No entanto, dependendo da forma como diferentes grupos ou indivíduos respondem a estes críticos, existem 2 percepções erradas que observo frequentemente nas minhas discussões com outros colegas.

terapeutas anti-ciência

A união é necessária para combater os céticos anti-TNC

Somos constantemente bombardeados com slogans:

1 – “Temos de ser unidos”;

2 – “a nossa união é essencial para ultrapassar os nossos inimigos”…

Ironicamente, muitas vezes, são ditos pelas pessoas que mais contribuiram historicamente para a desunião existente, especialmente nas áreas da naturopatia, acupuntura e medicina chinesa.

A chamada para uma união como forma de combate significa somente que ou não se compreende o movimento cético ou existem interesses em usar os céticos anti-TNC para objetivos internos.

A união não vai proteger-nos pois movimentos dos céticos anti-TNC observados tem origem em práticas ou crenças de terapeutas que são claramente anti-científicas.

As crenças mais atacadas pelos céticos anti-TNC são a água com memória dos homeopatas e energias imaginárias dos acupuntores.

Alguns dos pontos de maior irritação dos céticos advêm da oposição destes setores a práticas médicas essenciais nos dias atuais: vacinação e quimioterapia.

Unir estas terapias sem abandonar o misticismo e simples ignorância ideológica dos terapeutas anti-ciência não vai proteger-nos dos céticos. Vai alimentar o movimento cético.

A base o argumento dos céticos não está no nosso número mas sim nas crenças.

Certamente que nas lutas de poder dentro destas terapias os céticos anti-TNC tem o seu papel a desempenhar.

Servem de inimigo comum e podem ajudar os poderes instituidos a usar o medo de forma a controlar os associados.

Já várias vezes escrevi sobre isso: o medo sempre foi uma arma de eleição das associações de acupuntura de forma a controlar o pensamento dos seus associados.

Factos

1 – A bandeira de luta dos céticos anti-TNC focam-se sempre em homeopatia e crenças de acupuntores. Quase nunca se ataca a osteopatia.

2 – Por isso o Scimed não considera a acupuntura elétrica como acupuntura e só consegue definir acupuntura com base em energias e pontos energéticos.

O que está em causa não é a profissão mas crenças subjacentes a uma classe profissional.

3 -Os argumentos e as fontes bibliográficas são sempre as mesmas e são sempre focadas em exemplos extremos

4 – A maioria dos exemplos vem da forma como os terapeutas usam as suas crenças para atacar a medicina e manipular ciência.

Os céticos representam um movimento cívico capaz de destruir as TNC

As redes sociais podem mobilizar multidões e essa capacidade fez com que o Facebook fosse proibido na China.

E até democracias como a Alemanha tiveram problemas com essa capacidade de mobilização de massas.

Mas as redes sociais também podem dar a ilusão de poder social.

Da Primavera Árabe às eleições Norte-americanas

A Primavera Árabe começou nas redes sociais (estas não foram a causa da Primavera Árabe!).

Na Tunísia ajudou a democratizar o país, no Egito só conseguiu trocar de ditadores e na Síria foi o desastre que ainda hoje se observa.

O impacto que as redes sociais tiveram nas sociedades democráticas impôem desafios sem precendentes.

Foram usadas por Russos e Iranianos para claramente tentar destruir processos democráticos nas democracias mais fortes e tem estado associadas ao crescimento de ideias anti-cientificas como:

1 – movimentos terraplanistas (youtube);

2 – movimentos anti-vacinação (facebook com ajuda de bots russos).

Mas como vimos, um movimento forte de redes sociais pode não ter realmente grande expressão fora das mesmas.

Os céticos nas redes sociais e fora das redes sociais

Uma ideia que os terapeutas tem é que estes movimentos céticos tem um grande poder pela capacidade de publicar artigos e viralizar as redes sociais.

O Scimed publica um artigo no site dele e recebe centenas de likes e partilhas.

Eu nem nos meus melhores dias consigo isso.

Mas será que isso realmente implica poder fora das redes sociais?

Recentemente houve uma palestra dada por 4 céticos conhecidos financiada pela fundação Manuel dos Santos em Leiria.

Isso provocou medo e descontentamento entre muitos praticantes, mas no final só existia um auditório cheio de ar.

Tirando os palestrantes, 3 dedos de amigos e 2 unhas de terapeutas indignados, o auditório estava vazio.

Percepções erradas

Factos

1 – O Scimed pode ser uma sensação nas redes sociais mas para o ser precisa ser ordinário e vulgar (show off vende), ter um grupo de narcisistas patológicos que se alimentam uns aos outros e focar-se em múltiplos assuntos fora das TNC e medicina (GMO, energia nuclear, aquecimento global, etc…)

2 – O abaixo assinado contra as TNC entregue no parlamento tinha 700 assinaturas mas o abaixo assinado a favor das TNC no SNS tinha milhares.

3 – Na altura do abaixo assinado o grupo do Scimed tinha mais de 2000 membros mas a maioria dos assinantes eram cientistas, sendo que muitos dificilmente estariam no grupo do Scimed.

Ou seja a maioria das pessoas que vai a este grupo cético nem sequer concorda com o abaixo assinado (como ficou bem demonstrado com o desabafo irado do Scimed a seguir ao programa dos prós e contras).

4 – Apesar de existirem jornais com bias claramente anti-TNC (Público e Observador) a vontade política é para regulamentar.

5 – Muitos dos problemas existentes na regulamentação tem sido de origem interna e não de inimigos externos (guerras entre associações, interesses económicos de alguns setores, diferenças ideológicas, etc…).

6 – os céticos anti-TNC estão isolados de todas as profissões de saúde.

Basta comparar a posição deles com a inclusão cada vez mais comum de acupuntura e osteopatia nas principais guidelines internacionais ou para a própria inclusão destas áreas no arsenal terapêutico desses profissionais.

Como Malcolm Gladwell notou, as redes sociais representam um ativismo de baixo risco cujos participantes tem laços fracos a ligá-los.

Toda a gente gosta de ir ao grupo Scimed mas ninguêm está para se dar ao trabalho de assinar os abaixo assinados dele ou a ir ve-lo a Leiria dar uma palestra.

De centenas de likes a 0 espectadores!

Mais depressa um cético com dor recorre a um osteopata, do que vai ver uma palestra de outro cético falar sobre os riscos da osteopatia.

redes sociais céticos contra acupuntura e osteopatia

Justiça social e a luta das TNC e dos seus críticos

Muitos crentes acreditam que é a Religião que nos dá a capacidade de distinguirmos o certo do errado, que nos incrusta uma bússula moral capaz de nos definir como seres morais e éticos.

Na realidade a noção de certo e errado surge de um instinto natural presente nos seres humanos e noutros animais com consciência de si: ela surge de experiência subjetiva de injustiça social.

Na forma como um ser acha que não está a receber o tratamento idêntico.

Frans de Waal mostrou, de forma muito inteligente como 2 macacos capuchinhos respondiam aos prémios que recebiam quando executavam uma dada tarefa.

Se dessem aos dois macacos capuchinhos, pepino, nenhum deles ficava chateado, pois tinham executado a tarefa e recebido o prémio.

Mas quando ambos executavam a tarefa e a um era dado pepino e a outro uvas, o macaco que recebia o pepino mandava-o fora e ficava irritado.

No video podem ver a resposta do macaco: agredir o cientista com o pepino.

Leis, ciência e a sensação de justiça social

A única coisa que nos diferencia dos macacos, pelo menos para já, é a forma como racionalizamos a nossa sensação subjetiva de justiça social.

As recentes discussões entre céticos anti-TNC e muitos terapeutas são um reflexo dessa mistura de leis, ciência e justiça social racionalizada.

Para os praticantes de terapias não convencionais é uma questão de justiça social que eles sejam legalizados já que existem uma série de profissionais de saúde a fazer o que eles fazem.

É justo para um homeopata não poder exercer quando um médico pode fazer homeopatia?

A luta contra o IVA assentou, igualmente, neste pressuposto de justiça social:

É justo pagarmos IVA quando fisioterapeutas, enfermeiros e médicos que fazem acupuntura e osteopatia não pagam IVA?

Ninguêm quer pepino quando o vizinho come uvas.

Mas muitos céticos tem razão quando abordam o problema sobre o ponto de vista científico.

Será justo áreas como a homeopatia serem reguladas como profissões de saúde quando não reúnem as bases científicas necessárias para o fazer, ao contrário de todas as outras áreas de saúde?

Será justo muitos profissionais das TNC procurarem por prestígio legal quando não o conseguem cientificamente?

Qualquer diálogo existente tem de levar em linha de conta que os pressupostos de justiça social se aplicam aos dois campos.

Em vez de estarem sempre a atacar a credibilidade moral dos seus oponentes, os vários partidos deveriam tentar compreender a base na qual assenta o pressuposto para uma sensação positiva de justiça social.

Os céticos anti-TNC podem falhar porque facilmente caem no facilitismo ideológico e na simplificação (argumentos viciados, traduções mal feitas, análises superficiais) mas a premissa base da igualdade científica está correta e é socialmente justa.

Muitos terapeutas TNC falham completamente na questão da justificação científica das suas práticas (água com memória, energias imaginárias, acupuntura quântica, etc…) mas o pressuposto base da igualdade social enquanto profissão está correto.

terapeutas anti-ciência e céticos

Exemplos da noção de injustiça social contra e dentro destas terapias

Os pós-2013, as escolas e a regulamentação

Atualmente vai ser discutida uma lei no Parlamento Portugês (27 de Outubro de 2017) de forma a conseguir ajudar os alunos pós-2013 a regularizarem a sua situação, assim como vai ajudar as escolas atuais a manterem-se no ativo mais uns anos.

Na realidade, o problema dos pós-2013 deveu-se:

1 – à falta de vontade das escolas de se adaptarem à regulamentação;

2 – à incapacidade de oferecer em tempo real uma alternativa viável a essas escolas;

3 – a necessidades desses negócios continuarem a prosperar (ou sobreviver).

A dificuldade em fazer uma lei que agrade a todos deve-se ao facto de existirem universos de interesses ideológicos, profissionais, económicos e políticos que definem a moldura legal e com isso, geram choques sociais derivados da sensação de injustiça comunitária.

Será justo que uma pessoa com a mesma formação que eu possa exercer e eu não por um ano de fim de curso?

Será justo para os novos cursos do politécnico terem de competir com escolas mais antigas que nunca tiveram de passar pelos mesmos obstáculos para a criação desses mesmos cursos?

Será justo que alguns cursos de saúde tenham determinados critérios enquanto outros andam ao empurrão da boa vontade política?

Que uns profissionais tenham de estudar a sério (e muitos tenham de chumbar ou desistir) enquanto outros recebem equivalências?

Médicos e acupuntores

Da mesma forma que acupuntores não acham justo colegas exercerem sem qualificações para tal, muitos médicos não acham justo acupuntores exercerem com total autonomia clínica sem formação adequada, ou seja, sem licenciatura em medicina.

Ao mesmo tempo muitos acupuntores consideram injusto os médicos fazerem acupuntura porque a sua formação técnica também é insatisfatória.

Há uma indefinição processual de muitos conceitos e uma estratificação da noção de injustiça comunitária que advêm da nossa experiência enquanto alunos e profissionais.

Somos todos parte da solução porque basicamente compomos o problema.

Entre as noções de saúde e bem estar

Num enquadramento legal complexo como o existente atualmente surgem uma série de questões que colocam em causa os nossos princípios de justiça social.

É justo que a homeopatia com princípios anti-científicos e sem validade clinica seja uma profissão de saúde mas o exercício físico não?

É justo que um médico acupuntor não pague IVA por fazer acupuntura mas um acupuntor tenha de pagar IVA para fazer a mesma terapia?

E podemos considerar estas áreas como terapias de bem estar de forma objetiva?

Ou a prescrição off-label que goza da mesma evidência que muitos fitoterápicos passa também  ser terapia de bem estar?

Exemplos de críticas e ataques que expressam a sensação de injustiça tal como foram expressos por vários participantes da página de facebook Scimed

A ala mais radical e os vendedores de banha da cobra

céticos anti-TNC

Dentro do movimento dos céticos anti-TNC existe uma ala mais radical que exprime bem a sensação de injustiça social sentida por muitos.

Neste caso um conjunto de indivíduos para os quais não existe um único argumento ou prova que apoie a posição dos terapeutas.

Estes são sempre vistos como “vendedores de banha da cobra”, “tretólogos”, “pseudo-terapeutas”, etc..

Estes céticos anti-TNC tem posições argumentativas e lógicas que se repetem consoante a necessidade e que podem ser resumidas nos seguintes pontos:

1 – A terapia X é uma fraude, parte de princípios anti-científicos, logo os terapeutas são vendedores de banha da cobra.

Depois de se provar que existem mecanismos científicos plausíveis para algumas destas terapias o argumento transforma-se.

2 – Isso não significa nada. Pode ter efeitos fisiológicos ou uma explicação plausível mas isso não significa que seja clinicamente válido, logo os terapeutas são vendedores de banha da cobra.

No entanto em algumas técnicas é possível provar que são clinicamente válidas e tem resultados semelhantes a muitos tratamentos convencionais.

3 – Se são semelhantes então não são necessárias porque já existem tratamentos eficazes. Logo os terapeutas são vendedores de banha da cobra.

No entanto, depois de se mostrar que existem técnicas que são clinicamente válidas e podem contar-se entre tratamentos de primeira linha a resposta é:

4 – Mas isso é uma técnica e uma técnica não valida a terapia toda. Logo, estes profissionais são vendedores de banha da cobra.

No entanto é possível demonstrar que não é só uma técnica ou uma indicação clinica mas várias e que algumas destas terapias são cada vez mais aceites pela comunidade de profissionais de saúde a nível internacional.

5 – Ok, mas isso que falou da osteopatia “é fisioterapia baseada na evidência” ou então se funcionou “é medicina porque tudo o que funciona passa a ser medicina”. Logo estes profissionais são vendedores de banha da cobra.

Bodes expiatórios

The ego defense of displacement plays an important role in scapegoating, in which uncomfortable feelings such as anger, frustration, envy, guilt, shame, and insecurity are displaced or redirected onto another, often more vulnerable, person or group. The scapegoats—outsiders, immigrants, minorities, deviants—are then persecuted, enabling the scapegoaters to discharge and distract from their negative feelings, which are replaced or overtaken by a crude but consoling sense of affirmation and self-righteous indignation.

Um bode expiatório é uma pessoa ou grupo de pessoas acusadas de um crime ou algo condenável e que não fizeram.

Os judeus e depois os “cristãos-novos” costumavam ser os bodes expiatórios na idade média e renascimento. No século XX os judeus foram usados como bode expiatórios tanto na Alemanha Nazi como na União Soviética Estalinista.

O bode expiatório permite-nos direccionar as nossas emoções mais negativas, as nossas fraquezas e diminui a ansiedade do desconhecido. E todos tem os seus bodes expiatórios. 

Os bodes expiatórios são bons psicologicamente porque aliviam a ansiedade e o medo e são vantajosos politicamente porque permitem a manipulação das massas por pessoas que não tem capacidade de analisar ou resolver os problemas dessas massas.

Mas na realidade só ajudam a manter ou agravar os problemas existentes.

Os terapeutas convencem pacientes a não fazer quimioterapia

Um dos pontos de críticas aos terapeutas anti-ciência é a oposição que mostram contra a quimioterapia.

É comum lerem-se críticos referir que os terapeutas anti-ciência convencem os doentes a não fazer quimioterapia.

2 céticos anti-TNC recentes a usarem este esquema argumentativo foram os médicos João Cerqueira (Scimed) e Vasco Barreto.

O primeiro fez em referência a um estudo da universidade de Yale e o segundo relativo a um caso mediático que envolveu o Steve Jobs.

O João Cerqueira usou um artigo da Universidade de Yale com inúmeros problemas de formulava mas que acima de tudo não apresenta nenhum fenómeno de causalidade a demonstrar que os terapeutas convencem os doentes a deixarem os tratamentos convencionais.

Mas nada disto interessa. O que interessa é que pode ser manipulado a ponto do João Cerqueira poder levantar a dúvida “que os tretólogos profissionais convencem as pessoas que esses tratamentos são prejudiciais…”

Noutro caso temos o médico Vasco Barreto, claro admirador dos artigos do João cerqueira usar a mesma metodologia para explicar a morte infeliz de Steve Jobs:

Mas em momentos de grande vulnerabilidade, mesmo os mais brilhantes, como Steve Jobs, continuam a deixar-se seduzir por charlatões sem escrúpulos que vendem falsas esperanças

De seguida, o Vasco Barreto oferece-nos um link para um artigo que fala sobre este momento fatídico da vida de Steve Jobs.

Acontece que a história do Steve Jobs não tem nada a ver com “deixar-se seduzir por charlatões sem escrúpulos que vendem falsas esperanças”.

Além das muitas incertezas nesta história, se nos focarmos na sua biografia oficial a escolha de Steve Jobs teve mais a ver com as suas crenças pessoais do que ser convencido por “charlatões sem escrupulos”.

De acordo com entrevistas do seu biógrafo:

“Asked why “such a smart man could do such a stupid thing”, Isaacson said: “I think he felt: if you ignore something you don’t want to exist, you can have magical thinking. It had worked for him in the past. He would regret it.”
Mr Jobs’s wife, Laurene Powell, told the biographer: “The big thing was he really was not ready to open his body. It’s hard to push someone to do that.” She pleaded: “The body exists to serve the spirit”.”

Tanto o João Cerqueira como o Vasco Barreto criam os seus bodes expiatórios para conseguirem culpar alguêm pelos problemas que eles vêem no seu mundo.

Fazem cherry picking e constantes traduções ou interpretações erradas das suas fontes de forma a poderem criar os seus bodes expiatórios.

O fenómeno de causalidade referido pelos 2 médicos é imaginário. Pode ser psicologicamente reconfortante mas dá uma ideia errada da realidade.

Na realidade:

1 – A maioria dos pacientes que recorrem a estas terapias não são pacientes oncológicos,

2 – A maioria dos pacientes oncológicos que recorrem ás terapias não convencionais  tem como objetivo conjugarem os tratamentos.

3 – Pacientes que são contra os tratamentos médicos procuram terapeutas anti-ciência cujas ideias se adequem às suas e evitam terapeutas que não concordam com eles.

4 – Existem terapeutas anti-ciência que se opôem à quimioterapia e existem terapeutas que não se opôem. Não existem dados corretos mas é um problema marginal.

5 – Inúmeros estudos mostram que uma elevada percentagem de pacientes oncológicos (50 a 80%) recorre a terapêuticas complementares sem colocarem em causa os tratamentos médicos convencionais.

Super-heróis narcisistas

Acusar minorias dos problemas nacionais ou profissionais não é só uma forma de consolo psicológico. É também uma atitude narcisista patológica

Ao se criar um vilão também criamos um herói. O João Cerqueira, o Vasco Barreto ou alguns acupuntores (Sociedade Portuguesa de Medicina Chinesa por exemplo) pretendem vender-se como heróis.

Mas tanto o vilão como o seu próprio heroísmo são imaginados.

Alimentam uma postura arrogante coerciva e usam a agressividade de forma rotineira.

Estas pessoas ou grupos criam conspirações narcisistas para poderem fazer bulling contra os seus alvos.

A violência costuma ser verbal e psicológica mas pode evoluir para física. Exemplos de conspirações narcisistas típicas destes grupos:

1 – os médicos são todos uns vendidos da indústria farmacêutica (naturopatas, homeopatas);

2 – alguns acupuntores venderam o futuro da classe em cursos para fisioterapeutas (acupuntores);

3 – os terapeutas são todos contra a medicina e convencem os pacientes a não fazerem quimioterapia (céticos), etc…

O bullying vem na forma de ofensas públicas, ameaças sociais, judiciais e físicas, exclusão de grupos sociais, ofensas verbais, manipulação da opinião pública, etc…

terapeutas e céticos radicais

 

Relação dos profissionais com céticos anti-TNC

A resposta aos céticos anti-TNC, de uma comunidade de algumas centenas de profissionais foi virtualmente nula sobre o ponto de vista científico.

Houve muitas reclamações e ofensas em grupos de redes sociais e uma ou outra resposta esporádica no facebook com alguns desses críticos.

Fatores que fazem com que os terapeutas não queiram discutir com céticos

Notei que existem 2 fatores que fazem com que os profissionais não respondam:

1 – não querem perder tempo a discutir com alguêm que não vai mudar de ideia;

2 – simplesmente não tem argumentos válidos para bater esses críticos.

Os terapeutas precisam mudar o seu mindset relativamente a estes 2 pontos:

1 – Não discutimos para mudar o comportamento de uma pessoa que não quer mudar mas sim para mostrar que existe um outro lado da moeda.

A maioria das pessoas não muda de opinião do dia para o outro.

Se a maioria de nós não está disposto a mudar a sua opinião porquê exigi-lo aos nossos adversários ideológicos?

É importante garantir que os nossos argumentos lógicos, bem fundamentados e cientificamente válidos são discutidos na praça pública.

2 – Se existem colegas sem argumentos válidos, então, o problema está naquilo que defendem.

Precisamos mudar e aceitar o conhecimento pelo valor dos factos e argumentos.

Discurso aberto para todos

A única forma de responder a estes críticos é com lógica, razão e ciência num discurso aberto e assertivo que seja acessível a toda a gente.

Esses críticos escrevem para toda a população. As páginas de facebook são abertas, fazem-se reuniões públicas em faculdades ou associações e publicam-se artigos em jornais de grande tiragem.

Mas em resposta, muitos acupuntores ofendem e fazem-se de vítimas em grupos fechados do facebook.

Muitos profissionais não tem mostrado capacidade ou vontade de discutir publicamente assuntos que são importantes para a imagem social da nossa profissão. 

Para nosso prejuízo social continuamos a fechar-nos num pequeno mundo de capelinhas.

História, marketing e o conhecimento escondido

Há uns anos quando surgiu uma escola de acupuntura o seu currículo escolar era “pontos desconhecidos da maioria dos ocidentais”.

Uns 20 anos depois temos grupos fechados onde os acupuntores só falam entre si.

O nosso futuro não pode estar dependente de grupos secretos no Facebook mas na nossa capacidade de discutir publicamente os problemas que afetam a profissão.

E para isso precisamos discutir com os céticos anti-TNC.

Uma democracia pluralista que defende a responsabilização do doente e o direito à informação só pode aceitar profissionais que estejam dispostos a discutir publicamente as suas ideias, valores e conhecimentos.

Os céticos vem de áreas científicas onde reina a exposição pública de argumentos, publicação de estudos científicos, reconhecimento de ideias pelo seu valor preditivo, argumentativo e bases lógicas.

Os acupuntores vem de um mundo fechado onde, historicamente, “se esconde o conhecimento”; onde não existe a pressão para fundamentação lógica de ideias nem discussão pública das mesmas.

céticos e terapeutas

Fatores que validam e facilitam a crítica

O que gera estas críticas?

Quando olhamos para a evolução dos movimentos anti-acupuntura vemos que tem sofrido alterações.

Se antes eram feitos por uma maioria de profissionais de saúde hoje são feitas maioritariamente por céticos sem o mínimo de experiência profissional em saúde.

As profissões de saúde que eram tão céticas em relação à acupuntura há uns anos são hoje das suas maiores defensoras:

1 – cada vez maior desta terapia pelas associações médicas a nível mundial, pelo seu uso por várias especialidades (reumatologia, anestesia, etc…);

2 – outras profissões (fisioterapia, podologistas, enfermagem, etc…)

3 – aparecimento de novos tratamentos médicos (neuromodelação periférica no tratamento de bexiga neurogénica, etc…).

Mas se a acupuntura conquista as profissões de saúde, muitos céticos anti-TNC não conseguem aceitar a classe de acupuntores. Portanto surge uma questão importante:

o que gera estas críticas?

O efeito da falta de regulamentação e pressões económicas no ensino

Em primeiro lugar ausência de regulamentação fez com que qualquer pessoa pudesse abrir uma escola nas condições que imaginava.

Em segundo lugar as pressões económicas a que as instituições de ensino se encontravam expostas fez com que a qualidade de ensino, muitas vezes tivesse de baixar os níveis idealizados para conseguir sobreviver.

Neste contexto, vingaram escolas onde o preço barato e a ilusão do conhecimento eram suficientes para formar qualquer um.

Estes factos tornaram a classe permeável a práticas pouco científicas, menos responsáveis e menos capazes de atuar credivelmente num espaço académico.

No entanto, independentemente do passado todos temos de lidar com os desafios do presente.

E se queremos vencer no futuro temos de aceitar as nossas fraquezas presentes e ultrapassá-las.

O esoterismo escolástico

céticos anti-TNC

Por muito que nos ofenda, temos de ser capazes de admitir o excesso de conceitos esotéricos em muito currículos escolares.

Diferentes terapias terão diferentes graus de esoterismo associado, mas é inegável a sua presença e a influência que teve na seleção artificial de muitos alunos.

Alunos mais esotéricos e com menos formação científica vingaram neste tipo de cursos enquanto que os alunos com maior formação cientifica desistiram.

No final, este esoterismo escolástico é responsável por termos uma classe de acupuntores que trata energias, chama nomes nas redes sociais em grupos fechados mas não é capaz de discutir abertamente com cientistas, profissionais de saúde ou céticos.

Gurus e manutenção do status quo

Fica um pouco difícil defender uma prática como a acupuntura quando temos gurus que vão à televisão dar a entender que se tratam hérnias a “regular a energia do rim”.

Estas apresentações da profissão são apresentadas como universais e nunca se viu um programa de televisão onde os acupuntores discutissem as suas diferentes visões.

É sempre passada uma visão monocórdica, irrealista e indiscutível da classe.

Esta diferença, entre a idolatria pessoal e o valor objetivo do conhecimento, é um dos pontos que nos separa dos céticos anti-TNC e nos impede de discutir publicamente muitos problemas da profissão.

Como em qualquer ditadura de pensamento, a existência desse tipo de personalidades impedem a evolução do conhecimento e uma discussão mais democratizada dos valores técnicos, científicos e humanos de uma sociedade ou classe profissional.

Politica, ciência e representatividade social

Em primeiro lugar, a lei junta profissões e técnicas que a ciência não consegue juntar e isto facilita críticas mal intencionadas.

Misturar as fantasias homeopáticas de água com memória na mesma lei que as bases biomecâncias e neurofisiológicas da osteopatia, facilita o trabalho de céticos anti-TNC.

Céticos anti-TNC como o David Marçal ou alguns bastonários da Ordem dos Médicos usam problemas na homeopatia para atacar a acupuntura e a osteopatia quando são terapias com problemas e desafios diferentes. 

Em segundo lugar, a acupuntura evolui-o bastante em termos de raciocínio clínico e investigação cientifica mas a maioria dos profissionais vive de fantasias energéticas que nada tem a ver nem com a medicina chinesa nem com a ciência.

Ou seja, a lei legalizou uma prática que se encontra desfasada da ciência atual e da própria tradição.

Finalmente, estas terapias tem um problema social grave:

1 – se forem todas separadas ficam com pequena representatividade pública o que impossibilita a defesa dos direitos de cada classe,

2 – se ficam juntas acabam num contrasenso em que técnicas cientificas estão a ser difamadas pela sua ligação a técnicas nada cientificas.

Existe um dilema entre ter capacidade de defesa dos direitos enquanto classe e ser obrigado a recorrer a uma validade legal devido á impossibilidade de validade cientifica de algumas áreas.

A luta pelo IVA é uma prova deste dilema: teve origem em grupos de osteopata mas precisaram de algumas associações de acupuntura para se conseguirem fazer ouvir em frente ao parlamento.

acupuntura osteopatia céticos

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