Acupuntura segura

Imensas pessoas recorrem aos tratamentos de técnicas invasivas no mundo atual sendo que é desejo normal de qualquer doente fazer acupuntura segura.

Esta terapêutica é praticada em inúmeros Serviços Nacionais de Saúde desde o Japão a Portugal e começa a ganhar a confiança da classe médica nos países ocidentais sendo que em alguns deles só pode mesmo ser feita por médicos.

A acupuntura tornou-se uma área de trabalho para imensas pessoas no ocidente e, devido à ausência de regulamentação, começou a ser praticada por pessoas sem formação para o fazerem.

A falta de formação de muitos profissionais faz com que muitas pessoas que podem usufruir dos benefícios da acupuntura, não o façam.

Por esta razão torna-se necessário chamar a atenção para os fatores diferenciares de uma acupuntura segura!

Diminuir a probabilidade de efeitos secundários para aumentar segurança da acupuntura

Os efeitos secundários da acupuntura são reais. Qualquer acupuntor, mais tarde ou mais cedo, vai ter de os enfrentar.

Existem efeitos secundários da acupuntura que não apresentam grande significância clínica e outros com grande impacto na saúde das pessoas.

Assépsia clinica

Um dos grandes problemas da formação dos acupuntores é a sua fraca formação em assépsia clínica. Sendo outro a sua fraca formação científica (algo falado mais à frente).

Num estudo recente na China mostrou-se que as infeções eram mais comuns com métodos de esterilização de agulhas pobres. No Ocidente as agulhas são descartáveis.

No entanto as ventosas não são e a maioria dos acupuntores não esterilizam ventosas. O relaxamento que estas provocam no músculo não compensam o risco que o doente enfrenta.

Das várias estratégias para diminuir os riscos de infeções na acupuntura aconselham-se: uso de luvas, agulhas descartáveis, material clínico (ventosas, por exemplo) esterilizado, cuidado na desinfeção local (na cabeça é mais fácil surgirem infeções do que noutras partes do corpo), uso de estratégias para limpar sangue dos pontos de acupuntura, etc…

Anatomia, anatomia, anatomia

Não tem lógica estar a inserir agulhas no corpo a pensar no percurso dos meridianos sem ter a mínima noção das estruturas anatómicas que estamos a punturar.

No estudo, realizado na China e referido acima, mostrou-se que o efeito adverso grave mais comum era o pneumotórax.

30% dos casos de pneumotórax detetados aconteceram por puntura do ponto 21VB. Imensos acupuntores tem o hábito de punturar este ponto para baixo correndo o risco de perfurar o ápice do pulmão.

Muitos acupuntores não fazem ideia de formas de puntura segura para os órgãos internos.

Existem várias estratégias que o acupuntor deve seguir para prevenir efeitos adversos da acupuntura mais graves: estudar anatomia, muito treino em anatomia palpatória e capacidade de projeção espacial das estruturas anatómicas.

Prática, prática, prática

Sem prática não vale a pena. A mesma sensibilidade que o acupuntor deve ter na ponta dos dedos também a deve ter na ponta da agulha.

É esta prática que nos vai ajudar a reconhecer o tipo de tecidos que estamos a ofender com o estímulo da agulha.

Por exemplo, quando se fazem técnicas de acupuntura para tratar pontos gatilho (conhecidas no Ocidente como punção seca) nos escalenos convêm ser capaz de distinguir a tipo de tecido que se está a punturar.

Punturas vigorosas, como aquelas usadas no tratamento de pontos gatilho, podem ser uma ofensa grande aos nervos do plexo braquial.

Existem duas estratégias para se distinguir esta situação:

1 – estar atento aos sintomas referidos pelo paciente

2 – estar atento ao tipo de estrutura que se está a punturar (o nervo oferece uma resistência diferente do músculo).

Comunicar

60% das vezes que o paciente desmaia numa consulta de acupuntura acontece na primeira consulta de acupuntura. 80% dessas vezes a puntura é feita no pescoço ou cabeça.

Ou seja o acupuntor deve comunicar todos os procedimentos ao pacientes, garantindo que está calmo, garantir que o paciente está confortável e tomar atenção à comunicação não verbal do paciente pois muitos pacientes estão muito receosos ou nervosos com acupuntura mas tentam esconder.

Consciencializar

Devemos ter consciência daquilo que fazemos. Do potencial da nossa terapêutica e dos riscos associados à mesma.

Se estivermos conscientes dos riscos a que colocamos os nossos pacientes então temos tudo o necessário para os salvaguardar.

Das várias estratégias para nos consciencializar aconselho:

1 – não punturar quando não é necessário,

2 – se não sabem o que estão a fazer não fazem,

3 – saber quando parar (por vezes o tratamento está a ser inútil e mantêm-se o paciente para lucro próprio – mais punções e mais risco para o paciente);

4 – em caso da existência de sintomas que sejam indicativos de uma ocorrência grave indicar ao paciente o que ele pode fazer.

6 fatores diferenciadores de acupuntura segura

As agulhas

As agulhas são esterilizadas e descartáveis? Esta é uma das principais preocupações que qualquer doente deve ter quando recorre a estes tratamentos.

Regra geral as agulhas são descartáveis (após primeira e única utilização são colocadas em contentores próprios). Atualmente este é um problema secundário mas há uns anos era comum ver clinicas que não usavam agulhas descartáveis.

Outra prática que começa a cair em desuso mas era muito comum estava relacionada com a venda de agulhas ao doente com a desculpa de ser para a sua própria proteção.

Esta é uma estratégia para ganhar dinheiro extra fazendo o doente pagar mais pelas agulhas. Ao contrário do que é vendido não é uma prática de acupuntura segura.

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Desinfeção como fator diferenciador de acupuntura segura

Fale com o seu acupuntor sobre preocupações que tenha quanto à segurança dos tratamentos.

Seja assertivo e não tenha medo de colocar as suas dúvidas sendo que neste caso interessa-lhe saber se a pele vai ser desinfetada ou não.

Uma boa prática implica desinfecção dérmica com álcool nos locais a ser feita acupuntura.

Já li relatos de profissionais no Brasil que não desinfetavam a pele porque isso afetava o “circuito da energia”.

Mais uma vez, esta é uma das práticas que está cada vez mais esquecida mas mesmo assim ainda se pode ter azar e calhar com um acupuntor que partilhe estas ideias.

Esterilização

Como vimos a esterilização de agulhas é importante sendo que as agulhas devem ser esterilizadas e descartáveis.

Outro aspeto importante é a esterilização das ventosas mas quase nenhuma clinica esteriliza ventosas.

As ventosas, não raramente, entram em contato com o sangue do paciente mas a maioria das clinicas de acupuntura, que eu conheço, não as esteriliza.

Como doente, caso o acupuntor lhe proponha seguir esse tratamento certifique-se que as ventosas são esterilizadas. Caso contrário recuse-se a fazer o tratamento.

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Luvas como fator relevante no equipamento de proteção individual

Infelizmente quase ninguém dá atenção a este aspeto.

Eu uso luvas quando faço acupunctura e na ausência de luvas uso algodão de forma a evitar contato direto com os locais onde foi feita a acupunctura. De qualquer forma não me lembro da última vez que fiz técnicas invasivas sem luvas.

Uma acupuntura segura também serve para proteger o profissional.

Dê sempre preferência por profissionais que se esmeram na assepsia durante a acupuntura. Ou peça ao seu acupuntor para usar luvas quando lhe fizer tratamentos.

O uso de luvas apesar de não ser obrigatório dá muito mais segurança ao acupuntor e ao paciente.

Formação clinica e ética

Se viver num país onde a acupuntura não está regulamentada peça sempre informações acerca da formação do acupuntor.

Alguns doentes que deve evitar acupunturistas com formações deficitárias como licenciaturas de fim de semana por exemplo ou licenciaturas com poucas ou nenhumas horas de aulas práticas e estágios clínicos.

Para ter a certeza consulte as diferentes escolas existentes e veja o tipo de formações que dão aos seus alunos.

Acupuntores que usem e abusem de termos esotéricos e perspetivas religiosas no seu tratamento, na maioria das vezes não sabem fazer a diferença entre uma abordagem clinica do paciente e uma abordagem religiosa.

Regra geral este tipo de crenças nos profissionais estão associadas a uma formação deficitária.

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Prática clínica na prescrição de fitoterapia

O seu acupunturista também pode prescrever fitoterapia. Neste aspeto da prática clinica deve ter em atenção dois pontos muito importantes.

Em primeiro lugar evitar acupunturistas que deem conselhos sobre a medicação ocidental que está a tomar pois um acupuntor não tem formação para dar opinião sobre medicação ocidental.

Isso é competência exclusiva de quem prescreveu o medicamento. Por outras palavras, é competência do seu médico.

Em segundo lugar tomar cuidado com conselhos de prescrição de fitoterápicos quando já toma muitos medicamentos pois as plantas medicinais possuem princípios ativos que podem influenciar os princípios ativos dos medicamentos.

Se o paciente já toma muitos medicamentos a probabilidade de surgirem interações farmacodinâmicas ou farmacocinéticas é muito maior.

Peça uma segunda opinião

Nos países onde a formação dos acupunturistas não é boa é comum surgir publicidade enganosa relativamente aos benefícios da acupuntura.

Não se consulte com o primeiro acupunturista mas procure antes opiniões de outros colegas de forma a ter uma ideia da real aceitação de determinado tratamento na área.

Se desejar procure por investigação no Google scholar ou peça a opinião em blogs e sites internacionais.

Considerações finais

Estes são os principais pontos a ter em conta quando pensamos em segurança nas consultas de acupuntura e são aqueles pelos quais nos regemos no nosso gabinete de acupuntura em Lisboa.

Agora que sabe o que há-de perguntar ao seu acupuntor e está sensibilizado(a) para os principais riscos, não tenha medo.

Se precisar procure um acupunturista na sua cidade e beneficie das vantagens e benefícios desta terapêutica.

Caso acredite que existem outros aspetos importantes a ter em conta para uma acupuntura segura não se esqueça da nossa caixa de comentários.

E fale-nos da sua experiência em clinicas de acupuntura.