terapêuticas não convencionais

Terapêuticas Não Convencionais

TABELA DE CONTEÚDOS

Na lei portuguesa as Terapêuticas Não Convencionais (TNC) englobam 7 profissões diferentes sendo elas:

1 – Acupuntura

2 – Fitoterapia

3 – Homeopatia

4 – Medicina Tradicional Chinesa

5 – Naturopatia

6 – Osteopatia

7 – Quiropraxia

E estão descritas como:

“…práticas que partem de uma base filosófica diferente da medicina convencional e aplicam processos específicos de diagnóstico e terapêuticas próprias.”

Porquê estas terapêuticas não convencionais?

Qual a razão e se incluir a medicina tradicional chinesa mas não a medicina ayurvédica? Ambas são medicinas tradicionais.

Porque razão a homeopatia pode estar presente como parte das terapêuticas não convencionais mas não o reiki? Ambas partem de princípios sem suporte cientifico e sem qualquer evidência clinica.

Se o que descreve as terapêuticas não convencionais é a existência de um diagnóstico e terapêuticas próprias qual a razão da acupuntura estar incluída nestas terapêuticas uma vez que praticamente não tem diagnóstico próprio?

Se a base filosófica tem de ser diferente da medicina ocidental porquê incluir a osteopatia cujo raciocínio clínico é baseado em biomecânica e neurofisiologia? E como explicar a acupuntura elétrica?

A história da regulamentação das terapêuticas não convencionais está cheia de enredos e conspirações.

É uma mistura complexa de ideologias políticas, sociais e cientificas que espelha as dificuldades existentes do populismo democrático com um serviço público pouco eficiente e grupos de interesse pouco tecnocráticos.

Complexidades sociais e consequências lógicas: algumas reflexões pessoais

Acupuntura e medicina tradicional chinesa

Porque é que existe uma profissão de acupuntura e outra de medicina tradicional chinesa quando supostamente a acupuntura é uma terapêutica da medicina chinesa?

Supostamente a acupuntura deveria ser focada em forma de pensamento que fossem tradicionais e também modernas.

Em determinada altura a profissão de “medicina tradicional chinesa” desapareceu dos projetos de lei e a seu currículo foi passado para os cursos de acupuntura ao mesmo tempo que se focavam tanto numa componente energética e tradicional que deixaram de lado abordagens mais contemporâneas.

Passados uns anos a profissão de “medicina tradicional chinesa” voltou a aparecer, como que por magia.

E ficámos com 2 profissões regulamentadas que são praticamente a versão uma da outra.

Entretanto o perfil profissional de acupuntura ficou tão bem descrito e delimitado que abre as portas legais a qualquer profissão de saúde para fazer acupuntura desde que não se intitule acupuntor.

Depois destes problema conseguiu-se abrir licenciaturas de acupuntura que por si mesma não é uma licenciatura pois é só uma técnica terapêutica!

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Homeopatia e Osteopatia

Com perto de 100 anos de diferença nasceram a homeopatia e de seguida a osteopatia.

Apesar de ambas beneficiarem da criatividade da época e serem criações de médicos acabaram com futuros muito diferentes.

A homeopatia manteve-se fiel aos seus princípios e é cada vez mais atacada pela comunidade médica e cientifica devido à falta de substrato cientifico e validade clinica.

A osteopatia de hoje nada tem a ver com a osteopatia criada pelo seu fundador.

A profissão evolui-o, e apesar de ser contestada por céticos, é cada vez mais aceite em guidelines clinicas de todo o mundo.

Nos dias de hoje a homeopatia parte de princípios completamente negados pela ciência enquanto a osteopatia foca todo o seu raciocínio em disciplinas científicas.

homeopatia terapias não convencionais

Naturopatia e fitoterapia

Temos de nos perguntar qual a lógica de se regulamentar estas 2 áreas das terapêuticas não convencionais.

Qual o procedimento legal que me impede de aconselhar a prescrição de um suplemento alimentar?

Na acupuntura e na osteopatia compreende-se as vantagens da regulamentação e da formação superior mas no mundo dos suplementos?

Os licenciados em medicina chinesa vão continuar a prescrever fórmulas patenteadas de medicina chinesa e todos os outros profissionais de saúde vão continuar a prescrever suplementos.

futuro da farmacoterapia medicamentos

O ensino superior como desafio à regulamentação

Só a regulamentação das terapêuticas não convencionais não é suficiente. A profissão só consegue sobreviver na presença de licenciaturas que permitam crescimento da profissão.

No entanto a maioria dos politécnicos vão virar costas a licenciaturas de homeopatia, como já aconteceu em alguns pois os departamentos de química não são muito favoráveis às crenças de hahnemann.

Isto significa que sem licenciaturas, a homeopatia pode acabar como uma formação extra para os farmacêuticos.

Algo semelhante se passa com a naturopatia e a fitoterapia. Qual a saída profissional que este tipo de licenciaturas pode oferecer aos alunos dos politécnicos?

Se em termos de licenciatura a naturopatia e a fitoterapia enfrentam desafios semelhantes à homeopatia no mercado e trabalho as semelhanças com a acupuntura sobrepõem-se.

Os acupuntores conseguiram uma licenciatura que basicamente consiste em acupuntura tradicional chinesa e pouco mais.

No entanto, sofrem vários desafios:

1 – aquisição de competências semelhantes por outro profissionais de saúde;

2 – falta de raciocínio clinico relevante para competir com outros profissionais de saúde;

3 – investimento muito mais prolongado que outros profissionais de saúde para conseguirem exercer;

4 – mercado de trabalho ultra-competitivo;

5 – competição com licenciaturas de medicina chinesa que vão ensinar acupuntura tradicional chinesa e matéria médica.

Estes desafios podem colocar grande pressão no crescimento das licenciaturas de acupuntura.

Por seu lado, as licenciaturas em medicina tradicional chinesa vão sofrer um conjunto de pressões distintas:

1 – costumam estar associadas a centros de poder associativo que não pretende ser substituído por politécnicos;

2 – a sua complexidade em termos de terapêuticas e raciocínio clínico torna estas licenciaturas um desafio logístico que provavelmente não compensa aos politécnicos;

3 – isto implica que se sobreviverem vão ficar associadas às mesmas escolas existentes atualmente o que significa a manutenção e um status quo, um currículo demasiado esotérico e pouco cientifico impedindo o crescimento da profissão.

Por seu lado estes profissionais vão sentir pressões de mercado semelhantes aos dos acupuntores.

Finalmente temos as licenciaturas de osteopatia.

Foram as primeiras licenciaturas das terapêuticas não convencionais. São as que estão mais desenvolvidas e tem maior probabilidade de vingar no futuro.

Os osteopatas, de todas estas profissões, são aquela que tem maior prestigio cientifico e clinico e uma comunidade internacional bem desenvolvida e respeitada.

Isto significa profissionais bem formados e com maior capacidade competitiva e de integração em equipas multidisciplinares.

No entanto também enfrentam desafios pela aquisição de competências idênticas por parte de outras profissões de saúde.

E deixo a questão: qual o futuro da regulamentação de profissões sem licenciaturas?

marcos anatómicos pontos de acupuntura

Entre a ciência, a representatividade social e o respeito social

A pressão do ensino superior destas áreas vai provocar diferenças significativas na percepção de poder social destes profissionais.

Sem os cursos de fins de semana as associações de acupuntura vão ficar com cada vez menos associados o que lhes tira poder social ao mesmo tempo que as licenciaturas de osteopatia crescem.

Se as licenciaturas dos osteopatas continuarem a crescer e o número de osteopatas aumentar qual será o desejo destes profissionais de se manterem presos a outras profissões com que não se identificam e que já os prejudicaram no passado?

A força destes profissionais está na sua representatividade social pois em separado não fazem número suficiente para serem ouvidos.

Mas como se vai manter essa coesão social dentro das terapêuticas não convencionais quando o respeito social e cientifico implica que áreas mais esotéricas não poderão nunca ser aceites?

Por seu lado o aumento de osteopatas pode ser suficiente para se tornarem a força dominante nas terapêuticas não convencionais mas não suficiente para se separarem destas, especialmente com as pressões que vão sofrer por parte dos fisioterapeutas.

Os osteopatas correm o risco de virem a ser reis de um castelo que nunca quiseram conquistar!

Há quem defenda uma Ordem das TNC mas face aos desafios sociais e científicos isto parece mais wishfull thinking que outra coisa.

Não digo que não venha a existir alguma ordem ou um projeto da mesma mas será sempre algo demasiado disfuncional para ter qualquer valor.

De medicinas alternativas, complementares a terapias não convencionais

Em poucos anos os profissionais destas áreas passaram de praticarem uma mistura confusa de medicinas alternativas ou complementares para terapêuticas não convencionais.

Nunca se compreendeu o que eram medicinas alternativas ou complementares e em que medida estes termos pretendiam explicar a ação destas profissões ou catalogar os seus profissionais.

A sua variabilidade torna o problema ainda mais complexo.

Tanto a acupuntura como a osteopatia podem ser alternativas a cirurgias em pacientes com hérnias discais.

No entanto a acupuntura e a osteopatia, ao mesmo tempo que podem ser alternativas à cirúrgia numa hérnia discal, costumam ser complementares à medicação ocidental e à fisioterapia nos mesmos casos de hérnia discal.

Em pacientes diferentes a acupuntura e a osteopatia tanto podem ser alternativas a qualquer outro tratamento, podem ser complementares ou podem ser completamente inúteis.

Quando se analisa as diversas variantes da acupuntura ou da sua utilidade clinica então a acupuntura vagueia impunemente pelas fronteiras alternativas, complementares e a completa inutilidade.

A acupuntura nos pontos gatilhos é excelente e tratamento de primeira linha para aliviar muitos quadros de dor.

Mas a acupuntura quântica não é mais do que uma confusão ignorante sobre conceitos da física e da cultura chinesa.

A acupuntura é um campo onde a eficácia clinica vive sem fronteiras bem definidas com a inutilidade terapêutica.

No campo da completa inutilidade clinica sem alternativa ou complementaridade possível está a homeopatia.

O termo alternativa ou complementar indica que existe alguma utilidade clinica, alguma significância terapêutica.

No caso da homeopatia, além de desidratação, não parece existir qualquer utilidade.

Depois da fase alternativa e complementar passámos para terapêuticas Não Convencionais (TNC) pois supostamente temos modelos de pensamento diferenciados.

No entanto a base de raciocínio clínico da osteopatia é a biomecânica e a neurofisiologia que são disciplinas médicas convencionais.

A acupuntura existe em formas não convencionais como abordagens esotéricas às abordagens mais convencionais que explicam os seus diferentes mecanismos fisiológicos.

A homeopatia viola as leis da química como as conhecemos e não tem qualquer sustentação cientifica ou clinica mas é em si um produto do iluminismo.

A ironia da história é inegável.

A homeopatia, um produto do iluminismo cientifico ocidental é cada vez mais desprezada pela ciência atual enquanto a acupuntura, um produto de uma cultura confuciana e taoista é cada vez mais aceite.

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3 Experiências sociológicas

As terapêuticas não convencionais tem uma tapeçaria social complexa.

Diferentes profissões tem diferentes interesses, crenças e sonhos:

1 – os naturopatas nutrem a crença que serão os “médicos de família” das terapêuticas não convencionais;

2 – os homeopatas vivem fechados na crença que á agua tem memória!

3 – os osteopatas tem o sonho de virem a ser separados deste tipo de crenças e incluídos em todas as outras profissionais de saúde convencionais.

Estas diferenças são visíveis na forma como os profissionais destas áreas desenvolvem capacidades de auto-critica ou lidam com criticas internas e externas.

As próximas 3 experiências sociológicas focam-se em 2 profissões das terapêuticas não convencionais sendo elas a acupuntura e a osteopatia.

O primeiro estudo é focado nos acupuntores e na forma como condicionam a divulgação e literatura de acordo com as suas crenças.

O segundo é um estudo comparativo no tipo de posts que acupuntores e osteopatas partilham.

Finalmente o terceiro é outro estudo comparativo onde se analisam as respostas de acupuntores e osteopatas a criticas construtivas internas.

terapêuticas não convencionais

Auto-critica inexistente

Introdução ao estudo

Essa pequena experiência consistiu em publicar 3 artigos sobre acupuntura simultaneamente e observar a reação aos mesmos atendendo ao número de likes, comentários e partilhas durante 2 horas:

1 – artigo claramente positivo em relação à acupuntura;

2 – um artigo que abordava o problema da falsa propaganda que se faz da acupuntura;

3 – um artigo cético onde se falava de estudos científicos sobre acupuntura.

Os títulos dos artigos originais eram:

ARTIGO 1 – Descoberta cientifica demonstra porque a acupuntura funciona!

ARTIGO 2 – Don’t claim acupuncture works, NHS hospital told: Institution criticised over leaflets that made bogus claims about the treatment

ARTIGO 3 – What is Acupuncture?

Bias que podem afetar os resultados

Podem existir bias em relação a esta experiência pois o primeiro tem o título em português e os restantes em inglês.

No entanto eu conheço a maioria das pessoas que participaram (involuntariamente) nesta experiência.

A maioria sabe inglês e consegue entender aqueles artigos.

Não creio que este bias seja relavante para colocar em causa os resultados.

De qualquer forma deve ser sempre mencionado.

E quais foram os resultados ao final de 2 horas de publicação dos artigos?

Discussão dos resultados

O primeiro artigo extremamente positivo para a acupuntura teve 10 likes e 6 partilhas. Nessas 6 partilhas ainda recebeu 3 likes adicionais.

O segundo artigo, que abordava o problema de publicidade enganosa feita por um hospital do Serviço Nacional de Saúde inglês não teve nenhum like nem nenhuma partilha.

O terceiro artigo que abordava a acupuntura sobre uma perspetiva cética chamando a atenção para alguns estudos científicos e para manipulações históricas teve 1 like ao final das duas horas em que durou a experiência.

Para mim estes resultados levantam alguns problemas:

1 – muita da publicidade enganosa feita pelo Hospital de Medicina Integrada, na Inglaterra, é prática comum na acupuntura.

A maioria dos acupuntores faz publicidade semelhante.

O hospital foi obrigado a retratar-se, a maioria dos acupuntores prefere ignorar o problema.

2 – O terceiro artigo refere que a acupuntura está provada mas para um conjunto de condições mais limitada do que a regular propaganda feita pelos acupuntores e também chama a atenção para alguns revisionismos históricos que os acupuntores gostam de fazer.

Conclusão

Em suma, esta característica de usar os dados que nos dão jeito (através de likes e partilhas) e ignorar todos os outros é uma prática corrente e comum em muitas terapêuticas não convencionais.

Eu tenho quase 20 anos de experiência no mundo das terapêuticas não convencionais (contando com o tempo de estudo) e neste aspeto não vi grande evolução.

A publicidade enganosa abunda, a capacidade de auto critica não. O revisionismo e fantasias históricas imperam enquanto o ceticismo fundamentado é aprisionado.

terapêuticas não convencionais cura do cancro

Experiência sociológica entre acupuntores e osteopatas

Como acupuntor e osteopata tenho a liberdade para me mover entre estas duas comunidades que apesar de serem englobadas dentro das TNC são muito distintas umas das outras.

Vivem em realidades diferentes, tem uma consciência coletiva diferente e tem formas distintas de analisar a sua prática.

Este artigo é um pouco comprido e é uma pequena experiência sociológica que fiz para podermos comparar estas duas comunidades das TNC: acupuntores e osteopatas.

Como todos os estudos pode ter os seus bias e obviamente poderá gerar todo o tipo de celeuma.

Escrevo com o objetivo de servir de reflexão sobre a nossa prática.

Desenvolvimento desta experiência sociológica

Para fazer esta comparação entre acupuntores e ostepatas decidi usar dois grupos de facebook, um de acupuntura e um sobre osteopatia.

A razão para usar estes grupos de terapêuticas não convencionais foi baseada na atividade diária e número de membros.

A atividade diária indica que é um grupo ativo e o número de membros indica que essa atividade está ligada aos interesses da classe sendo também uma boa amostra representativa.

Outro ponto importante é que são grupos portugueses e como tal dão uma indicação mais correta do pensamento vigente nessas duas comunidades portuguesas (alguns grupos de acupuntura são brasileiros).

O grupo de facebook de acupuntura escolhido foi o de Saúde e TNC com mais de 1500 membros.

O grupo de osteopatia escolhido foi o de Medicina Osteopática com mais de 1300 membros.

Foi usada uma amostra de 25 posts mais recentes no grupo de acupuntura e 30 posts mais recentes no grupo de osteopatia.

Esta amostra foi recolhida no dia 27 de Setembro de 2016.

No grupo de acupuntura:

1 – 44% dos posts eram sobre publicidade de cursos,

2 – 16% sobre divulgação de clínicas,

3 – 16% sobre atualização de imagens e de definições do grupo,

4 – 8% sobre regulamentação,

5 – 4% sobre a divulgação de uma revista de investigação científica em acupuntura,

6 – 4%posts que por alguma razão deixaram de poder ser partilhados e

7 – 4% sobre divulgação de congressos.

No grupo de osteopatia observou-se que:

1 – 26.7% dos posts eram sobre regulamentação,

2 – 20% eram sobre estudos científicos,

3 – 13.3% eram posts sobre o reconhecimento nacional e internacional da osteopatia,

4 – 6.7% eram sobre divulgação de sites de investigação em osteopatia,

5 – 6.7% eram sobre divulgação de conferências internacionais,

6 – 6.7% eram pedidos de colegas e ou empresas.

Finalmente com 3.3% existiam posts relacionados com: divulgação e discussão de estudos científicos, cursos de osteopatia, norma europeia sobre cuidados em osteopatia, desafios lúdicos sobre o corpo humano, pedido de organização de encontro sobre osteopatia, posts a questionar a prática da osteopatia.

Comparar grupos nesta experiência sociológica

As comparações serão limitadas a alguns pontos relevantes e serão acompanhados de alguma discussão acerca da existência de bias.

Existe no grupo facebook de osteopatia uma maior publicação de posts sobre regulamentação.

No entanto isto não é indicativo de que os acupuntores não se preocupem com a regulamentação.

A acupuntura tem muitos mais grupos de facebook que a osteopatia e a maioria dos artigos sobre regulamentação encontram-se noutros grupos (como a UMN que engloba várias terapêuticas não convencionais ou o grupo de acupuntura sobre regulamentação).

Existe uma maior proliferação e marketing de formações em acupuntura do que em osteopatia.

A maioria da publicidade estava associada a uma empresa mas é comum existir marketing formacional nos diversos grupos de acupuntura.

Os grupos de acupuntores são mais pensados em marketing do que em discussões com forte conteúdo científico enquanto na osteopatia o contrário é verdade: menos marketing e maior discussão com conteúdo científico.

A partilha e discussão de estudos científicos (mesmo polémicos) é comum no grupo de osteopatia mas é raro ou praticamente inexistente no grupo de acupuntura.

As poucas partilhas, no grupo de acupuntura, que se assemelhassem a um estudo tinham como objetivo publicitar uma formação.

Existe uma maior variedade de assuntos no grupo de osteopatia.

Uma vez que a amostra foi limitada no tempo e espaço pode ser que esta variedade seja um bias. Mas também pode ser indicativa de uma tendência real existente nestas áreas.

Dos osteopatas parece existir uma necessidade de questionar a sua prática e evoluir a partir daí enquanto dos acupuntores esse questionamento não é colocado.

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Um estudo observacional entre acupuntores e osteopatas

Como respondem as duas áreas a posts com opiniões discordantes feitos pelos próprios profissionais?

Ou seja a opiniões discordantes relativamente ao conhecimento aceite pela maioria, independentemente de estar certo ou errado?

Por exemplo no grupo de osteopatia foram publicados 3 posts:

1 – um era sobre uma investigação que colocava em causa uma das bases de biomecânica (1),

2 – outro era sobre criticas aos cursos e formações (2),

3 – outro um desabafo contra a forma de trabalhar de muitos osteopatas (3).

Este tipo de posts não se encontram muito frequentemente no mundo da acupuntura (eu sei porque a maioria das vezes que surge um deles sou eu que o escrevo) e a resposta aos mesmos nunca é tão cordial e académica como na osteopatia.

Neste caso de estudo irei comparar dois posts diferentes: um em que um osteopata coloca em causa a prática da osteopatia (no grupo de medicina osteopática) e outro em que um acupuntor coloca em causa crenças esotéricas da acupuntura (no grupo UMN).

Depois publicam-se o tipo de respostas, representativas da opinião da maioria, que cada um recebeu no grupo da osteopatia e no grupo da acupuntura

Post sobre acupuntura no grupo UMNPost sobre osteopatia no grupo medicina osteopática
 …Uma coisa é brincar com energias imaginárias ou tradicionalismos muitos deles completamente obsoletos e pouco compreendidos, outra coisa é ter raciocínio clínico fundamento em anátomo-fisiologia humana. O que escreveram no Portal da Universidade de Lisboa está correto e é uma pena que isto passe ao lado da maioria dos acupuntores. O problema da acupuntura sempre foi a separação entre um mundo mágico que trata “síndromes energéticos” e um mundo racional que trata tendinites, bursites e outro tipo de patologias.
A integração e técnicas multidisciplinares e novas formas de pensar a acupuntura baseado em princípios científicos, assim como a compreensão mais correta dos efeitos neuro-fisiológicos da acupuntura faz com que a abordagem da acupuntura contemporânea seja superior…
…Desabafo de um “Osteopata chateado”:

Porque é que a Osteopatia continua amplamente associada a um conjunto de manipulações articulares ignorando o avanço da ciência que tem derrubado os antigos dogmas em que assentavam a anatomia, neurofisiologia, biomecânica, etc?…

 Resposta de acupuntores Resposta de osteopatas
 Lamentável! … Bom ponto, caro … Não me surpreende, especialmente vindo de ti…
 … Não sei se foi o Qi do estômago em contra corrente… Mas eu bolsei… Ou se calhar vomitei… Já não sei bem… … Penso que os osteopatas que apenas vêm manipulações à frente é porque têm uma formação precária ou então apenas gostam do “show off”!!!…
 … O que eu acho lamentável é que, em vez de acrescentar carácter científico ao conhecimento milenar, se faça uma tentativa de aniquilá-lo! Discordo do colega Nuno Lemos quando diz que se brinca às “energias imaginárias” e que ridicularize a ideia de sindromes energéticos… Tenho pena que talvez nunca tenha tido oportunidade de tentar entender a Medicina Tradicional Chinesa…… A osteopatia precisa de ser profissionalizada. Nos anos 90 trabalhei em Portugal com um ortopedista do desporto bastante conhecido que me dizia que o osteopata não era mais do que um endireita com conhecimento cientifico!! Se continuarmos na via das manipulações e não na profissão em si, o argumento continua a fazer sentido!…
 … Santa ignorância. Quando alguém como o Nuno Lemos fala do que não sabe, não tendo pelo que aqui refere qualquer experiência na área seria melhor nada dizer…. … A resposta é simples Amigo. Porque saindo da manipulação tens que obviamente estudar e isso dá trabalho…
 … mas o simples facto de ler numa sua observação que a Medicina Chinesa nunca falou em energias faz com que eu não vá perder tempo a ler sequer alguma coisa que poste! Mostra a ignorância completa de quem não está habilitado a entrar neste tema!… … a osteopatia nao é uma panaceia para tudo, e o problema é qd queremos tocar em todasas areas e existem areas que nao sao nossas…
 … E lamentáveis as declarações em resposta daquela pessoa que ainda por cima tem lugar no conselho consultivo. Verdadeiramente assustador e percebe-se melhor do que nunca a razão de isto estar uma vergonha ainda… … Na minha modesta opinião, as técnicas de HVLA (manipulações) devem ser utilizadas com muita responsabilidade. Assistimos a uma banalização de técnicas que requerem muita maturidade (não apenas de índole técnica) por parte de quem a pratica…

As reações contra o conhecimento instituído, no mundo da acupuntura, são mais agressivas, ofensivas e com um conteúdo muito menos construtivo do que na osteopatia.

Na Osteopatia nota-se preocupação em saber definir os limites de aplicação das técnicas (outra falha gigante na acupuntura) e da formação.

Na acupuntura gera-se uma defesa religiosa de conceitos que não pertencem nem à medicina Chinesa nem tem qualquer sumo científico.

As reações aos diferentes posts, por parte o resto da comunidade contribui para o fortalecimento desta conclusão.

O post que defendia uma abordagem científica da acupuntura teve 4 likes.

O comentário de resposta mais agressivo que envolvia vómitos teve 6 likes.

Ao todo mais de 40 likes mostram um apoio incondicional a ideias que envolvem “energias” esotéricas e muito pouco anatomia.

Qualquer comentário a favor de um ponto de vista científico é visto como um ataque à medicina chinesa, qualquer proposta de se trocarem tratamentos tradicionais por tratamentos mais modernos é tratado como uma heresia.

Como um acupuntor referiu acerca da minha opinião sobre uma acupuntura mais científica e menos esotérica e tradicionalista:

“É uma vergonha pela falta de respeito pela Acupuntura, e pelas suas origens e lógicas, e mais não digo”

No grupo da Medicina Osteopática o “desabafo” do osteopata foi recebido com quase 50 likes.

Reflexões sobre estas experiências sociológicas

A origem destas diferentes formas de discutir (ou não) cientificamente, de ter a capacidade de auto-crítica do próprio conhecimento e prática está na formação científica.

A base da osteopatia está na biomecânica. Mesmo as piores escolas tem de dar formação científica aos seus osteopatas.

A base da acupuntura, no Ocidente, está em energias imaginárias e manipulação de conceitos chineses. Mesmo as melhores escolas estão inundadas deste tipo de crenças.

No final umas escolas formam profissionais cuja formação científica os leva a ser auto-criticos com o seu trabalho e dependenrem de uma análise científica e objetiva do seu trabalho e dos seus conhecimentos base e outras escolas formam profissionais cujas crenças religiosas só podem ser defendidas com ofensas e agressividade.

Desafios que tem de ser superados pelas Terapias Não Convencionais

Com a regulamentação, coloca-se pressão sobre muitas terapêuticas não convencionais para ultrapassarem as suas falhas em termos de formação, crenças, desenvolvimento cientifico e capacidade de adaptação.

Crenças sem credibilidade científica

Existe uma grande mistura de terapêuticas na lei que enquadra as TNC, desde a mais fundamentada análise osteopática em biomecânica humana à mais fantasista ideia de que a água tem memória.

Muitas vezes quando criticos e céticos atacam as TNC fazem-no recorrendo a exemplos de homeopatia (o mais fácil) e depois tratam tudo o resto como se tivesse o mesmo valor.

Este tipo de crenças afeta a construção e uma classe clinicamente respeitável.

Enquanto os fisioterapeutas tem de saber anatomia, biomecânica e passam horas a estudar física os acupuntores são ensinados a acreditar que existem umas energias no corpo.

Estudos científicos

Efetivamente faltam estudos em muitas área:

1 – acupuntura tem um problema particular uma vez que tem estudos acerca dos seus mecanismos de ação de boa qualidade mas depois tem estudos clínicos que são pura perda de tempo,

2 – homeopatia tem estudos mais que suficientes a dizer que não serve para nada;

3 – a osteopatia tem bons estudos a sustentar a sua eficácia.

A força dos estudos científicos tem de se sobrepor às crenças ou interesses sociais dos terapeutas.

Por outro lado, estes profissionais tem de saber discutir e adaptar os estudos para as particularidades de cada terapêutica.

O problema começa logo na formação com uma muito pequena componente cientifica.

Este problema nasce das crenças esotéricas dos professores e da sua falta de preparação clínica.

Prescrição

Os desafios relacionados com a prescrição de suplementos ou fórmulas patenteadas chinesas pode resumir-se em 4 pontos principais:

1 – garantir a segurança do paciente e qualidade das fórmulas: controlo de qualidade das fórmulas; crenças na educação relacionadas com o efeito “energético” das plantas face ao efeito químico dos medicamentos; etc…

2 – tentar prescrever as fórmulas ou suplementos com melhores evidências cientificas;

3 – trabalhar em conjunto com médicos: prescrever com base em conhecimentos bioquímicos e fisiopatológicos.

4 – dar maior atenção e formação ao problema das interações farmacocinéticas.

Podem parecer problemas pequenos mas a incapacidade, até ao momento, de ultrapassar qualquer um deles mostra bem o desafio que representam.

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Aplicação de terapêuticas

O uso de acupuntura sem conhecimentos de anatomia e sem a capacidade de reconhecer a importância primordial de anatomo-fisiologia humana no desenvolvimento de métodos de racíocínio clínico objetivos é a grande falha dos acupuntores.

Outra é a sua incapacidade de saber definir corretamente qual o seu método de ação clínica e limitações na aplicação das suas terapêuticas.

A acupuntura é publicitada como um remédio que cura tudo e pode ser usada para todo o tipo de males. Isso faz com que a profissão perca credibilidade.

Do comportamento pessoal aos procedimentos clinicos

5 erros convencionais dos profissionais de terapêuticas não convencionais

Nada melhor que a experiência do dia a dia para enriquecer os exemplos daquilo que devemos ou não devemos fazer.

Ao longo dos anos fui observando alguns erros por parte de colegas terapeutas não convencionais que achei relevantes pois em determinada altura notei que muitos desses erros eram recorrentes e estavam associados a crenças e à forma como os terapeutas não convencionais preferem olhar o mundo.

Alguns erros são de origem ideológica, outros de origem financeira, etc…

Este artigo pretende chamar a atenção dos terapeutas não convencionais mais novos para este erro para que eles não os cometam.

Colocar o lucro à frente da honestidade

Um erro cometido por alguns profissionais, especialmente em períodos de crise ou em início de carreira.

É mais comum nestes momentos porque é a altura em que têm menos doentes.

O lucro é essencial para a nossa sobrevivência mas até que ponto é que deverá ser o lucro a única coisa importante?

Não seria preferível por vezes desencaminhar um doente para outro profissional que sabemos o consegue tratar?

Ou ser honesto e indicar que não acreditamos no valor clinico de determinado tratamento?

Há uns anos falei com alguns acupuntores que não acreditavam no uso da acupuntura para deixar de fumar.

Uns deixaram de aplicar esses tratamentos porque não acreditavam neles, outros continuaram a usá-los porque era uma forma fácil de ganhar dinheiro, mesmo quando não acreditavam nem tinham sucesso clínico.

Será útil aceitarmos pacientes que sabemos não conseguir tratar e assim aumentar a taxa do nosso insucesso clínico?

Que impacto terá na mente do terapeuta sucessivos casos de insucesso ou a venda constante de um produto que não acredita funcionar?

Seria preferível ter clientes a dizerem que somos honestos ou ter doentes a dizer que não os conseguimos tratar?

Achar que o lucro imediato é preferível à construção de uma marca credível (o nosso nome) é um erro que alguns terapeutas não convencionais só se apercebem tarde demais.

acidente vascular cerebral avc

Não dar importância ao paciente

Vi os problemas que esta filosofia provoca tanto a nível do crescimento profissional dos terapeutas como da confiança dos doentes.

Muitas vezes, o próprio terapeuta não se apercebe que tira relevância à história do paciente ou às suas queixas. Tem tudo a ver com crenças nas terapêuticas não convencionais.

Se alguns terapeutas acreditam que todos os sintomas tem uma componente mental e vão fazer a consulta já com diagnósticos pré-definidos (vazio de qi do baço ou estagnação de qi do fígado), acabam por serem incapazes de dar atenção à história do paciente e de perceber quais os sintomas mais importantes e o que vale mesmo a pena tratar.

Lembro-me há uns anos de ver uma colega fazer o diagnóstico a uma paciente que tinha ciática e a única coisa que a minha colega queria saber era como a morte de um gato há 6 meses atrás tinha influenciado a ciática (não tinha!).

Um diagnóstico que deveria ser fácil tornou-se uma espera morosa à procura de um santo graal que pudesse justificar um qualquer bloqueio emocional de qi.

A única razão pela qual a paciente não teve de passar por tratamentos inúteis para regular energias e recebeu um tratamento para a ciática foi porque estava lá um chato que prefere cães a gatos.

E por falar em energias leva-me para outra história onde um paciente recorreu a uma clinica de terapêuticas não convencionais para tratar dor de costas.

A terapeuta refere-lhe que era preciso regular as energias para tratar dor de costas e começou a fazer um tratamento que não contemplava sequer as costas.

Ao final da terceira consulta sem qualquer resultado, o paciente irritado, decidiu abandonar aquela terapeuta por outra.

A conclusão da história?

O paciente era maluco e sofria de uma estagnação de qi do fígado.

Achar que os médicos são os nossos inimigos

Institucionalmente irão sempre existir quezílias entre médicos e outros profissionais de saúde.

Muitas terapêuticas não convencionais estão na primeira linha dessa batalha e isso não vai deixar de acontecer.

Mas achar que os médicos são nossos inimigos porque existem esses choques institucionais, ou interesses profissionais, é um erro.

No dia a dia os médicos são os maiores amigos dos acupuntores.

São eles quem mandam doentes e cada vez mais médicos aconselham os pacientes a fazerem acupuntura.

Recentemente uma associação médica norte-americana aconselhou a acupuntura como primeira linha de tratamento na lombalgia. Melhor publicidade que esta é impossível.

A construção de um nome credível e a capacidade de dialogar com médicos (assim como outros profissionais de saúde) é essencial para o crescimento da clínica.

Um erro que muitos terapeutas cometem, pois ao longo dos anos perderam imensas hipóteses de capitalizarem uma relação profissional muito vantajosa.

A Ordem dos Médicos pode ser inimiga da classe dos acupuntores mas os médicos, pela relação de confiança e credibilidade que se forma, podem ser os nossos melhores amigos.

No dia a dia um dos maiores interesses do médico é ter um grupo de profissionais credíveis e confiantes a quem ele possa encaminhar doentes e ver resultados.

Técnicas de osteopatia percepções erradas

Não dar importância à metodologia e conhecimento científico

Este é dos maiores erros que tenho observado ao longo dos anos.

Afeta a nossa capacidade de crescer profissionalmente, diminui a capacidade de auto-critica do nossos trabalho, afeta a qualidade do serviço que prestamos ao doente e dificulta o diálogo com outros profissionais de saúde.

Muito se poderia dizer sobre a importância da ciência nestas áreas mas uma comparação simples consiste somente em comparar a evolução que se observou na chamada “acupuntura médica” nos últimos anos.

A acupuntura médica começou com discursos esotéricos sobre energias yin e yang e poucos anos depois tinha um sistema montado de acupuntura neurofuncional.

Tudo isto em menos de 10 anos. Os acupuntores há 40 anos que falam em energias. Depois de 40 anos não mudaram nada.

Houve um aumento enorme de investigação científica, estudos de sinologia, história da medicina chinesa, inovações tecnológicas que passaram completamente ao lado dos acupuntores.

Lembro-me há uns anos de ser convidado para participar de um conjunto de palestras numa escola de medicina chinesa.

Na altura tinha acabado a minha tese de licenciatura em Medicina Nuclear sobre fitofármacos radioprotetores e achei por bem falar sobre isso.

É um assunto recente onde o estudo das farmacopeias tradicionais se associa com investigação de ponta em biologia molecular em estudos pré-clínicos que estão a oferecer um conjunto de informações extremamente valiosas.

Quase ninguém falava sobre isso na altura. Era algo novo e muito interessante.

Mas por ser muito científico foi-me pedido que falasse sobre outra coisa.

Acabei por fazer uma pequena apresentação sobre paralisia facial enquanto no auditório maior um colega falava sobre a vantagem de fazer acupuntura a mortos para diminuirem de tamanho e caberem no caixão!

Achar que não tem de mudar nada para comunicarem com outros profissionais de saúde

Os osteopatas não tem este problema. A sua linguagem baseada em neuromecânica e neurofisiologia não é estranha a outro profissional de saúde.

Os homeopatas também não tem este problema mas porque a sua linguagem não engana nenhum profissional de saúde e especialmente nenhum químico!

No entanto a medicina chinesa tem este problema.

Ao longo dos anos os especialistas de medicina chinesa sempre acharam que não tinham de falar nenhuma linguagem científica; que os vazios de yin e estases de sangue era suficientes; que as energias eram superiores ao cartesianismo cientifico.

Ou seja, não conseguiram criar pontes de diálogo vantajosas com médicos e outros profissionais de saúde.

Há alguns anos usei a analogia do contacto com uma espécie extra-terrestre.

A melhor forma de contactar com outras espécies é através da linguagem universal: a matemática. E qual é a linguagem universal da medicina? O sintoma.

Os acupuntores passaram anos a falar de energias imaginárias e termos chineses que nunca compreenderam e nunca se deram ao trabalho de abordar a medicina chinesa pela linguagem universal de qualquer medicina e dessa forma capitalizar com o diálogo construtivo com outras profissões.

7 Procedimentos a ser seguidos

Existem alguns procedimentos que devem ser seguidos por todos os praticantes de Terapêuticas Não Convencionais.

A lógica destes procedimentos é garantir a segurança do profissional, do doente, assegurar boas vias de diálogo com outros profissionais de saúde e ter a possibilidade de criar condições para crescer profissionalmente.

Este artigo é escrito com base na minha experiência pessoal e profissional e está de acordo com as práticas seguidas na minha clinica no dia a dia.

Eu considero-os válidos para a minha clinica de acupuntura em lisboa mas isso não significa que devam ser universais.

Estes procedimentos são o resultado do meu amadurecimento profissional e estão intimamente ligados à minha experiência profissional enquanto acupuntor e osteopata.

dialogar com médicos e evidencia clinica

Consentimento informado

Um ponto importante, que não deve ser descurado pelas Terapias Não Convencionais, neste tempo de final de regulamentação é a proteção da nossa prática, usando um consentimento informado assinado pelo paciente.

É fácil escrever um modelo ou procurar um na net para servir de base.

Comunicar com o doente

Além do consentimento informado outro aspeto importante é explicar tudo ao paciente, manter atitutde aberta e empatica para o paciente colocar as suas dúvidas.

Na presença de pacientes mais ansiosos ir explicando todos os procedimentos na medida em que eles vão sendo executados.

Estar atento não só à linguagem verbal como não verbal do paciente de forma a conseguir controlar alguma reação mais inesperada.

Por exemplo conseguir antever e responder rapidamente logo aos primeiros sinais de uma reação vasovagal numa consulta de acupuntura.

lucilia galha jornalista sábado

Anotar todos os medicamentos que o paciente toma

Extremamente importante para analisarmos a história clinica do paciente e tentar compreender se um dado sintoma pode estar associado ao quadro clinico ou ser um efeito secundário de um medicamento.

Também é relevante quando pretendemos prescrever fitoterapia uma vez que podem existir interações farmacocinéticas que não são totalmente controladas por nós.

Existem técnicas para prescrever em segurança e evitar o aparecimento de interações farmacocinéticas.

Encorajar o paciente a comunicar ao seu médico que faz tratamentos de Terapêuticas Não Convencionais

Mesmo que o(a) paciente se sinta reticente deve ser sempre encorajado(a) a dizer ao seu médico os tratamentos que faz.

Pode ser importante porque podem existir incompatibilidades entre tratamentos ou pode ser condicionada a ação de outro profissional de saúde pela presença das nossas consultas.

Por exemplo, no tratamento da paralisia facial com acupuntura elétrica deve-se avisar o paciente que não deverá associar com TENS (estímulo elétrico trans-cutâneo).

Terapêuticas Não Convencionais: comunicar com outro profissional de saúde

Manter disponibilidade para explicar os nossos tratamentos, com as suas potencialidades e desvantagens, a outros profissionais de saude e saber integrar a nossa abordagem num todo coerente levando em conta o trabalho de outros profissionais.

Na minha prática é comum contactar fisioterapeutas de pacientes com AVC de forma a integrar o melhor possível os meus tratamentos nos objetivos de reabilitação do paciente.

Também surgem pacientes para reabilitação que, ocasionalmente, pedem relatórios para serem apresentados ao médicos especialista que os acompanha.

Devemos explicar a nossa prática numa linguagem que seja facilmente entendida por outros profissionais de saúde.

terapêuticas não convencionaisFoto de Gustavo Fring no Pexels

Anotar os dados todos

Anotar os dados da consulta é essencial.

Por dados incluem-se todos os sintomas, procedimentos, reação do paciente ao longo da consulta ou mesmo dúvidas ou pensamentos devem ficar escritos.

Mais tarde vai ajudar o terapeuta a comparar tratamentos e resultados, a mudar guidelines terapêuticas e a desenvolver abordagens mais completas e eficazes.

É também um dos novos deveres impostos, e bem, pelo processo de regulamentação.

A anotação dos dados também pode ser feita de forma a facilitar a sua quantificação para avaliação cientifica.

Técnicas de assepsia nas Terapêuticas Não Convencionais

Com particular cuidado para os acupuntores uma vez que a acupuntura é uma técnica que exige cuidados de assepsia mais refinados.

Os acupuntores deveriam estipular normas exigentes e rigorosas de assepsia clínica.

Acupuntura segura deveria ser o lema de todos os profissionais.

Na minha prática tento estabelecer, há muitos anos, as melhores técnicas assépticas disponíveis:

1 – uso de luvas em técnicas invasivas,

2 – desinfecção da pele,

3 – uso de agulhas esterilizadas e descartáveis,

4 – ventosas esterilizadas, etc…

tratamento manual de osteopatia

Reflexões finais sobre terapêuticas não convencionais

As terapêuticas não convencionais representam um conjunto de profissões com profissionais que não partilham dos mesmos sonhos, não tem as mesmas crenças nem os mesmos interesses.

Historicamente isto explica a razão pela qual a sua união foi sempre pontual.

Quando é do interesse de todos, como aconteceu com o IVA, os profissionais das terapêuticas não convencionais juntam-se e lutam pelos seus direitos.

Mas tirando esses momentos rapidamente se separam.

As diferenças entre terapêuticas não convencionais são visíveis tenho pelas várias experiências sociológicas que se podem fazer entre elas como pelo sucesso que tem no ensino superior ou o interesse que despertam noutras profissões.

A regulamentação e a criação de licenciaturas vieram criar novas dinâmicas sociais nas terapêuticas não convencionais cujas consequências serão percebidas daqui a uns anos.

Até lá existem desafios que se colocam às profissões e profissionais das terapêuticas não convencionais. Muito do nosso sucesso vai depender da forma como ultrapassamos esses desafios.

Referências Bibliográficas

[1] https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10153823827075308&set=pcb.1270778742961952&type=3&theater

[2] https://www.facebook.com/groups/medicinaosteopatica/permalink/1250185728354587/

[3] https://www.facebook.com/groups/medicinaosteopatica/permalink/1241551782551315/

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